Consciência e futilidade são naturalmente excludentes. Fazer mais com menos é o que hoje o mercado chama tecnicamente de INOVAÇÃO. A gente ama teorizar, porque a teoria permite aquela zona de conforto. O mundo da abstração pode ser total descompromisso e, o pior, alienação!
As lições sobre como otimizar a vida estão aí, mas há muito desprezo em relação a elas porque há uma cultura ao descarte, ao desperdício, ao consumo e à ostentação. Isso está tão naturalizado que perde-se a autocrítica. Esta semana, o programa Mais Você da TV Globo apresentou uma matéria sobre como "fazer render" produtos do dia-a-dia.
As dicas da produção eu aprendi com as minhas avós, com as vizinhas do bairro onde cresci, numa época em que as feiras livres ainda não tinham sido engolidas pelos supermercados e que eram lugares onde as PESSOAS paravam para trocar experiências de economia intuitiva. As PESSOAS se ensinavam a sobreviver em tempos em que desperdício era "pecado".
O que me chamou a atenção no programa foi o embate entre a apresentadora e seu debochado mascote que, inclusive, criou dificuldade e estresse inconvenientes durante a exposição da matéria (clique aqui).
30 dias de test-drive e R$ 25 mil no look
Não sou a favor da relação com dinheiro associada a avareza. Sei que capitalismo e consumo são dois lados da mesma moeda. E sei também que há sinais novos no horizonte, aos quais é preciso prestar atenção. Eu ainda não sei interpretar, mas consigo identificar.
A Chevrolet, esta semana, lançou uma campanha promocional em toda América Latina. Test-drive de 30 dias e devolução do valor de depósito, caso a compra não seja efetivada pelo cliente. O interesse é na venda ou no dinheiro de entrada pelo veículo? É venda ou fluxo de caixa que estão em jogo?
O look de Fernanda Lima na reestreia de seu programa na TV Globo foi avaliado em R$ 25 mil. Praticamente o valor de um carro popular, para uso durante algumas horas de gravação. Que inversão de preços está em questão? Nem cabe questionar aqui o mérito da inversão dos valores.
Os pátios das montadoras estão lotados. Isso significa - como já significou na década de 1980 - desemprego e muito competição e muito mais gente exposta ao risco de exclusão social, para ficar só nos reflexos imediatos.
A Alemanha é o país mais competitivo da União Europeia. Eles conseguem mais eficiência em tudo que se dispõem a fazer... inclusive jogar futebol. Na Educação - especialmente dos jovens - há uma preocupação com a formação voltada para a solução de problemas. Os alemães estão preocupados com a sustentabilidade do país, em cenários de deflação. É um posicionamento focado no século 21 e no futuro.
A história da humanidade, desde sempre, desde do fogo, desde a roda, sempre foi de superação, adaptação, evolução. Ao invés do descarte gratuito, os alemães preferem se apropriar da realidade e capacidade das coisas e de si próprios para se impor ao desafios do tempo. Essas evidências serão suficientes para nos mostrar novas inteligências sobre o valor de comportamentos conscientes?
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