Na semana passada, eu tive a oportunidade de assistir a um case da VALIA, durante o 2º Seminário Ética e Boas Práticas de Governança no Fortalecimento da Confiança, evento realizado pelo SINDAPP e pela SPPC. A apresentação me impressionou por muitos aspectos, dos quais eu vou destacar somente três:
1. a objetividade e a simplicidade com que as informações foram compartilhadas, inclusive um dado que não está nos slides: a distribuição de nove superávits consecutivos para Participantes e Assistidos.
2. a estrutura de Comunicação e, principalmente, Educação que a Valia desenvolveu. Esta informação está nos slides (clique aqui). O que não está nos slides é que a área de Educação é a que - atualmente - mais cresce na Valia.
3. a estrutura de governança baseada em processos bem definidos, sistematicamente revisados e documentados.
O que eu quero dizer com esse post é que os nove superávits consecutivos distribuídos pela Valia não são resultados isolados de uma performance extraordinária da gestão financeira. É claro que a estratégia e a política de investimentos foram excepcionalmente bem desenhadas e executadas. Entretanto, será aleatoriedade que a área institucional que mais cresce na Valia é a de Educação?
A boa governança, como é conhecimento de todos, não é somente um conceito. Trata-se de uma prática ética que sustenta as melhores decisões, a favor da coletividade. Fortalece a confiança por meio de resultados efetivos, naturalmente reconhecidos como valor: comprometimento, transparência, fidúcia, responsabilidade.
Interdependência
Nesse exemplo, fica evidente que os resultados refletem uma atuação orgânica da Entidade. O ambiente institucional saudável também favorece o posicionamento estratégico. E fica fácil imaginar que os feudos institucionais tenham sido extintos.
Se queremos estender a Previdência Complementar Fechada para toda a sociedade, convencer empregadores a incluir o benefício em suas Políticas de Gestão de Pessoas e mobilizar o trabalhador com a proposta de planejamento de futuro, devemos buscar e promover os exemplos que verdadeiramente representam o trabalho dos fundos de pensão. São intoleráveis desvios de conduta e de gestão que levem a prejuízos, déficits, CPI, degradação da imagem, reputação, representatividade.
O futuro que queremos para nós e toda a sociedade é mais limpo, ético, respeitoso, cidadão. Outro modelo não nos interessa!
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
sábado, 15 de outubro de 2016
700º POST: EXPERIÊNCIA SINGULAR DA PLURALIDADE
A Comunicação e a Educação têm, criam, fazem e encontram muitos caminhos. Essa é uma lição que eu aprendi escrevendo o blogue Conversação! 700 posts: é uma grata surpresa descobrir todas essas prosas em mim e no outro - autores e referências de pensamentos e mensagens que eu compartilho e utilizo para sustentar minhas reflexões e leitores que me acompanham.
Houve um tempo que o silêncio me incomodava. O Conversação, curiosamente, tem poucas interações. Mas tem boa leitura. Os números, as estatísticas me contam isso. As localidades mapeadas apontam que os leitores estão em muitos lugares.
Eu - às vezes - tenho curiosidade de saber como são esses olhos que estão do outro lado do monitor do computador. Eu - às vezes - tenho curiosidade de saber como são os pensamentos dos que prestigiam os posts com suas leituras. Eu - invariavelmente - respeito quem está do outro lado. A companhia mapeada pela estatística e o silêncio me bastam. E me desafiam! Eu sempre fico pensando: será que eu consigo escrever outro post? Eu tenho um tema novo novo? Retomo um tema por outra perspectiva? Eu tenho um novo sentido para compartilhar aqui?
Conversação em essência é relacional. Na prática é muito exercício de imaginação dessa relação virtualmente estabelecida: uma das possibilidades de ser e estar no século 21. Conversação: se eu estivesse em um espaço acadêmico, o blogue poderia ser uma espécie de laboratório de narrativas técnicas. Como estou no espaço virtual, livre de amarras metodológicas, posso exercitar o livre pensar, compartilhar sempre movida por um sonho: minhas palavras vão tocar o outro? Porque eu sou muito permeável a palavras e pensamentos.
Por isso, vou usar um texto do economista Eduardo Giannetti, que lindamente redimensiona as possibilidades dessa dinâmica:
"O advento da agricultura e da criação pastoril em larga escala, há cerca de 12 mil anos, implicou não só uma vasta readaptação de valores, crenças instituições e formas de vida aos seus métodos e exigências: ele implicou a domesticação do animal humano em grau equiparável ao de qualquer planta ou animal. Com o modo de vida agropastoril, a formação de grandes núcleos urbanos, o avanço da divisão do trabalho e a generalização das trocas mediadas pelo dinheiro, o homem deixou de viver, por assim dizer, from hand to mouth. A partir desse marco, toda atividade produtiva passa a tornar-se, de forma crescente, o circuito dos meios, ou seja um território regido pela suspensão do impulso de agir tendo em vista a imediata satisfação dos desejos. Abre-se assim uma fenda - que com os séculos se converteu num vasto, intrincado e por vezes ameaçador sistema de trocas comerciais e financeiras de âmbito planetário -, separando, de um lado, aquilo que se faz no dia a dia para ganhar os meios de vida e, de outro, aquilo que diretamente se almeja: desfrutá-la e bem vivê-la. O divórcio entre os meios e fins na vida prática levou à crescente abstração do concreto vivido e à necessidade - por repressão ou introjeção - da renúncia instintual; ao refreamento da primazia do aqui e agora e ao lugar de relevo que passado e futuro - realidades virtuais - adquirem em nossa vida mental". (Trópicos Utópicos, p.105,106)Futuro e transformação
Futuro e transformação estão essencialmente no campo das possibilidades. Como conceito, portanto, dependem de crença, de esperança, de fé que só se torna fato quando se materializa. Em 2012, eu não tinha muita ideia do que ia acontecer quando comecei a escrever o Conversação. Naquela época, assim como agora, eu estava e estou aberta às oportunidades. Na minha imaginação, quero crer que estas palavras reescrevam o óbvio ou o transponham para tocar corações e mentes. Cada uma delas é escolhida com esse propósito. Cada recurso (imagem, vídeo, outros autores) de cada mensagem são garimpados com essa ambição.
Caríssimo Leitor, a gente se transforma juntos neste processo relacional de Comunicação e Educação. Esta é a principal viagem que estamos fazendo juntos, numa alternância permanente da condução deste veículo pelos universos da palavra e do pensamento. Que juntos nós possamos ir cada vez mais longe por esses tantos caminhos que se revelam a cada novo passo. Obrigada, Caríssimo Leitor, muito obrigada!
sábado, 17 de outubro de 2015
PROFESSORES: OS VISIONÁRIOS QUE NOS AJUDAM A LER O PRESENTE E O FUTURO
As notícias do país e do mundo têm me feito mal. É só me expor demais a elas e me sinto impotente e desempoderada. Haja energia para ter otimismo frente a essa overdose de caos. Haja equilíbrio para se expor e se manter impermeável ao caos. Haja determinação para encontrar algum valor no caos.
Mas acho que é exatamente esse o exercício que o século 21 exige da sociedade. O professor Gil Giardelli (ESPM/USP), no livro Você é o que você compartilha - explica que a conexão trouxe uma espécie de euforia infantil. A rede aceita e a gente despeja todo tipo de informação nela. Desde ingênuos gatinhos, reuniões familiares, até extermínio de leões, elefantes, genocídios, corrupção, desvarios. A rede, por enquanto, espelha o circo dos horrores que a sociedade é. Desorganizada, caótica, cruel.
O presente determina o futuro
Eduardo Giannetti da Fonseca - muito focado nos movimentos socieconômicos e nas tecnologias financeiras - explica o poder transformador da poupança interna. Além de poupar, o Brasil precisa ser mais competente, mais produtivo. Mais uma vez, a solução para esse cenário caótico depende da co-criação, do comportamento das PESSOAS.
Percebe a convergência? Um fala de tecnologia, outro fala de economia. Mas a síntese é a consciência das PESSOAS? Percebe a chave do tamanho? Percebe a resposta? Pode parecer óbvia, evidente. Mas é preciso afastar todo o caos para entender que o poder de fazer melhor, a saída, a luz que procuramos não está em políticas, máquinas, salvadores e heróis.
Mas acho que é exatamente esse o exercício que o século 21 exige da sociedade. O professor Gil Giardelli (ESPM/USP), no livro Você é o que você compartilha - explica que a conexão trouxe uma espécie de euforia infantil. A rede aceita e a gente despeja todo tipo de informação nela. Desde ingênuos gatinhos, reuniões familiares, até extermínio de leões, elefantes, genocídios, corrupção, desvarios. A rede, por enquanto, espelha o circo dos horrores que a sociedade é. Desorganizada, caótica, cruel.
Com o tempo, a sociedade vai amadurecer e criar soluções mais avançadas para tratar dos desafios do cotidiano. A crise da credibilidade institucional será fato consumado. E as PESSOAS passarão a protagonizar as mudanças que elas desejam para si e para o mundo. Deste posicionamento compartilham Gil Giardelli e também o professor Clay Shirk.
Estou escrevendo sobre professores porque um dos dias desta semana - 15 de outubro - foi dedicado a eles. Eu estava envolvida com um job naquele dia. Daí, só parei agora para reunir algumas das influências que me ajudam a tratar do efeito criptonita do caos do mundo.
"O futuro vem do futuro"
Professores inspiram. Professores protagonizam. Professores se arriscam a buscar - no futuro - o que o presente ainda não materializou. É por isso que, neste post, cabem incontáveis referências. Octávio Ianni, Rubem Alves, Milton Santos, Albert Einstein. Mais do que professores, humanistas com olhos postos além do caos.
Eu não fui aluna de todos eles. Mas sou seguidora dos pensamentos que estão compartilhados em livros, na rede. Também não fui aluna de Silvio Meira (FGV/RJ) nem Eduardo Giannetti (USP). Mas li os livros e, pela TV ABRAPP, tive a oportunidade relâmpago e a honra de trabalhar presencialmente com eles este ano de 2015.
Sílvio Meira dá uma aula sobre o potencial exponencial de transformação do mundo, via tecnologia. Mais do que informação, a conexão de COMPORTAMENTOS reconfiguram o espaço, o universo ao redor. É co-criação entre PESSOAS e INSTITUIÇÕES em rede que precisa ser interpretada e analisada como oportunidade de interação competente. O aproveitamento das oportunidades vai determinar o amadurecimento e a evolução da sociedade.
Sílvio Meira dá uma aula sobre o potencial exponencial de transformação do mundo, via tecnologia. Mais do que informação, a conexão de COMPORTAMENTOS reconfiguram o espaço, o universo ao redor. É co-criação entre PESSOAS e INSTITUIÇÕES em rede que precisa ser interpretada e analisada como oportunidade de interação competente. O aproveitamento das oportunidades vai determinar o amadurecimento e a evolução da sociedade.
O presente determina o futuro
Eduardo Giannetti da Fonseca - muito focado nos movimentos socieconômicos e nas tecnologias financeiras - explica o poder transformador da poupança interna. Além de poupar, o Brasil precisa ser mais competente, mais produtivo. Mais uma vez, a solução para esse cenário caótico depende da co-criação, do comportamento das PESSOAS.
Percebe a convergência? Um fala de tecnologia, outro fala de economia. Mas a síntese é a consciência das PESSOAS? Percebe a chave do tamanho? Percebe a resposta? Pode parecer óbvia, evidente. Mas é preciso afastar todo o caos para entender que o poder de fazer melhor, a saída, a luz que procuramos não está em políticas, máquinas, salvadores e heróis.
Eu me ilumino e compartilho desta luz
Trabalhar com o futuro é uma aventura fascinante e assustadora: depende sempre de saltos quase sempre calculados e invariavelmente no desconhecido. Trabalhar com Previdência é evitar riscos, de preferência todos eles. Percebe o paradoxo deste exercício?
Trabalhar com o futuro é uma aventura fascinante e assustadora: depende sempre de saltos quase sempre calculados e invariavelmente no desconhecido. Trabalhar com Previdência é evitar riscos, de preferência todos eles. Percebe o paradoxo deste exercício?
Por isso precisamos dos professores, dos visionários, dos protagonistas, dos inspiradores. Quem trabalha com Previdência tem por responsabilidade uma coletividade inteira de PESSOAS que faz o futuro ser diferente. Tem por propósito transformar comportamentos. Compartilhar consciência. Construir o que não há. Por isso, acho tão fantástico esse aprendizado. Acho tão visceral o compromisso de compartilhar essas vozes, essas reflexões: um tesouro de valor que vai além de todo o patrimônio que sonhamos formar e da proteção que queremos construir.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2015
36º CBFP: QUANDO A MENSAGEM GANHA VOZES E POTENCIAL PARA ECOAR
Quem faz TV ABRAPP só vê fragmentos do Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão. A gente prioriza o foco e - por enquanto - deixa a panorâmica para segundo plano.Priorizar o foco tem um propósito: registrar a essência e, claro, perenizar as contribuições relevantes para que elas possam ecoar em corações e mentes.
Na minha mente, agora, há uma conversação intensa. Sim! Já escrevi antes. Eu ouço vozes! E elas dizem sobre o que aconteceu em muitos e diferentes palcos, corredores, reuniões, revistas e livros que estão na minha memória. Por isso, acho tão pungente a entrevista do professor Clóvis de Barros Filho, que trata do risco de indigência a que muitos professores universitários estão expostos, por não saberem planejar a vida.
Sei que coincidências não existem. Na hora e meia de voo de volta entre DF e SP, li o livro 12 Olhares sobre Comunicação em Fundos de Pensão, lançado no 36º CBFP. Lá na página 117, o Olhar nº 12, fala sobre a ação da SP-PREVCOM junto aos professores universitários de São Paulo para adesão ao plano. É importante lembrar que a EFPC tem pouco mais de um ano, 30 meses, em operação.
Também acho relevante mostrar aqui outras percepções de três jornalistas sobre a Previdência Complementar e sua missão de ganhar voz junto à sociedade. Heródoto Barbeiro explica, com muito didatismo, a ambição missionária de mudar a cultura da sociedade. Mas há um trunfo! O longo prazo é estratégico para as instituições que atuam no mercado.
O trabalho para os Comunicadores e Educadores da Previdência Complementar, sem dúvida será interminável. Mas há caminhos. Denise Campos de Toledo tem uma interpretação bastante realista sobre o momento: agora, o Brasil vive retração econômica e do mercado de trabalho. Em um cenário mais estável, é preciso envolver os jovens universitários com a problemática do planejamento de vida de longo prazo.
Para finalizar este post - sem deixar de ouvir as vozes - quero falar aqui de um projeto fundamental da ABRAPP: o Prêmio ABRAPP de Jornalismo. Conhecer Previdência Complementar depende de pesquisa, informações qualificadas, dedicação. Essa experiência está registrada na entrevista de Antonio Temóteo de Queiroz Elias que - mais do que o prêmio - conquistou para sempre um repertório de valor e a consciência do quanto a sociedade precisa de um trabalho que a imprensa ainda precisa realizar.
Esse posicionamento do jornalista premiado se alinha com a reflexão sobre ativismo previdenciário que Sílvio Renato Rangel faz no livro Previdência Social na Sociedade de Risco - o desafio da solidariedade com sustentabilidade, sobre o qual eu assumi um posicionamento deliberado de divulgadora espontânea.
Tenho certeza que as vozes do Congresso encontrarão ecos nos corações e mentes que tiveram oportunidade de presenciar o evento pessoalmente, pelas lentes das câmeras, smartphones, jornal digital e que agora tomarão a atitude responsável de compartilhar o trabalho de valor que temos o privilégio de construir para transformar o futuro.
Sem a rede de valor que se estabelece pré e pós evento, sem a energia das PESSOAS de valor, a mágica não acontece. Fica apenas como promessa e possibilidade.
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segunda-feira, 30 de março de 2015
O QUE É DECISIVO PARA MUDAR O RESULTADO DO JOGO?
É impressão minha ou a economia roubou a pauta do futebol no Brasil? Que eu não sou fã de futebol, todo mundo sabe. Por isso, imagino que essa história de foco na economia seja uma sazonalidade porque o calendário dos campeonatos estão começando, pois não?
A economia, entretanto, não dá trégua. Hoje, por exemplo, a Folha de S. Paulo traz uma matéria desconsertante sobre desindustrialização precoce no Brasil (clique aqui). Se isso significasse um fato isolado, cujo reflexo imediato se limitasse ao desemprego, acho que a notícia poderia ter passado sem nota.
Entretanto, diferentemente de outros países com taxas efetivas de educação, no Brasil o processo pode ser socialmente devastador. Há pouco tempo, quando o mercado de trabalho estava aquecido, tudo o que os empresários pediam era mão-de-obra qualificada, recursos humanos qualificados. Há pouco tempo, a indústria ainda absorvia aquilo que a sociedade tinha a oferecer. Ou treinava, quando não encontrava essa força de trabalho disponível. E agora?
Fôlego para o longo prazo
Durante o século 20, o Brasil adotou uma política que buscou a inclusão nacional no cenário de economia global. Capital, bens e serviços entraram no processo. Mas faltou a Educação e a preparação de trabalhadores para enfrentar qualquer demanda do mercado. E o mercado mudou! Está mais tecnológico, busca mais sustentabilidade, substituindo processos lineares por processos circulares de produção, reduzindo desperdícios de recursos não renováveis.
Hoje, o ranking das sete universidades do mundo que mais crescem em importância e reputação acadêmica mostra que Singapura, Coreia do Sul e China estão lado a lado de países como Suíça, Espanha, Reino Unido e Holanda (clique aqui). Esses dados sugerem muita mudança nas estratégias daqueles que se dedicaram a enfrentar a globalização do capital com um propósito efetivo, pois não? De quem entrou no jogo para ganhar no longo prazo e, quem sabe, em alguns casos, com um idealismo a favor de uma sociedade melhor. Por que não?
Penso que a recessão do século 21 no Brasil possa ser ainda mais estranha do que as
demais de nossa história. Na década de 1970, por exemplo, o consumo era menos estimulado. A massa de consumidores ainda não tinha uma configuração expressiva. O futebol ajudava a compensar a falta de infra-estrutura de um país em desenvolvimento. O ensino mais qualificado era público e a indústria tinha horizonte ainda que estatizado... Não havia internet, nem rede social.
Difícil imaginar o futuro com base no presente, mas é certo que ele cada vez mais vai depender de formação, qualificação com muita disposição e demanda para a inovação. Talvez seja por esse motivo que, no momento, a metodologia de ensino na Finlândia está chamando a atenção do mundo (clique aqui).
Não sei se o fiasco da Copa 2014 foi suficiente para alertar como é que se marca gols que realmente transformem a vida das PESSOAS. Mas espero que mais essa derrota, a da indústria, sirva para alertar que a Educação pode não ser fácil nem rápida, mas é decisiva para ganhar qualquer jogo.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
GLOBAL MONEY WEEK: MUITAS AÇÕES, UMA FILOSOFIA
Eu terminei de assistir ao webinar sobre a 2ª Semana de Educação Financeira - evento que integrará a Global Money Week - e vai acontecer entre os dias 9 e 15 de março (clique aqui).
O webinar foi uma realização SPPC/PREVIC/ABRAPP/ICSS e teve o objetivo de compartilhar uma apresentação de 10 slides para padronizar seminários que possam ser realizados por profissionais e Entidades Fechadas de Previdência Complementar que se inscreverem para participar da 2ª Semana de Educação Financeira (clique aqui).
Os resultados da ENEF
Para quem não sabe, aqui no Brasil, Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) teve os primeiros movimentos entre 2006 e 2007. Paulo César dos Santos, da Secretaria de Políticas de Previdência Complementar, durante o webinar, apresentou os resultados de uma ação voltada para o ensino médio, implantada em 891 escolas públicas brasileiras, capitaneadas por 1.200 professores e envolvendo 27 mil alunos:
Esses dados são fantásticos e o que o Ministério da Previdência Social, a SPPC e a PREVIC querem é engajamento. Porque há um segmento importante para a disseminação da cultura previdenciária: os jovens do ensino técnico e os universitários.
No Brasil, há outras instituições envolvidas nessa difusão de cultura financeira e previdenciária: Banco Central, FEBRABAN, CVM, SUSEP, CNSeg, ANBIMA, BOVESPA, Ministérios da Justiça, Fazenda e Educação. Mas o mundo está inclinado e observando melhor essa questão do comportamento financeiro não apenas dos jovens, mas sociedade.
A expansão da rede
Presencial é melhor, mas a solução a distância favorece quem tem pouca disponibilidade de tempo para entrar em contato com esses conceitos muito novos, mas que estão se fortalecendo a cada dia. Educação Financeira e Educação Previdenciária significam mais cidadania e autonomia. Formação de massa crítica contribui para um sistema financeiro mais eficiente e sólido. No limite, estamos falando de desenvolvimento econômico e social. Por isso, a relevância desse webinar que, tomar, vire série!
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O webinar foi uma realização SPPC/PREVIC/ABRAPP/ICSS e teve o objetivo de compartilhar uma apresentação de 10 slides para padronizar seminários que possam ser realizados por profissionais e Entidades Fechadas de Previdência Complementar que se inscreverem para participar da 2ª Semana de Educação Financeira (clique aqui).
Os resultados da ENEF
Para quem não sabe, aqui no Brasil, Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) teve os primeiros movimentos entre 2006 e 2007. Paulo César dos Santos, da Secretaria de Políticas de Previdência Complementar, durante o webinar, apresentou os resultados de uma ação voltada para o ensino médio, implantada em 891 escolas públicas brasileiras, capitaneadas por 1.200 professores e envolvendo 27 mil alunos:
- Aumento da proficiência financeira: os jovens passaram a ter mais desenvoltura, confiança e domínio ao lidar com dinheiro.
- Aumento da autonomia financeira: os jovens aprenderam a negociar mais
- Aumento da propensão para poupar: resultado de consciência crítica sobre os apelos para o consumo e aumento da capacidade para fazerem escolhas mais inteligentes.
- Mudança de comportamento: estabelecimento de prioridades, capacidade de negociação, controle de despesas.
Os resultados tiveram acompanhamento do Banco Mundial. E, para 2015, é ampliar o trabalho por meio de multiplicadores para atingir 3 mil escolas, 545 professores e 247 multiplicadores.
Esses dados são fantásticos e o que o Ministério da Previdência Social, a SPPC e a PREVIC querem é engajamento. Porque há um segmento importante para a disseminação da cultura previdenciária: os jovens do ensino técnico e os universitários.
No Brasil, há outras instituições envolvidas nessa difusão de cultura financeira e previdenciária: Banco Central, FEBRABAN, CVM, SUSEP, CNSeg, ANBIMA, BOVESPA, Ministérios da Justiça, Fazenda e Educação. Mas o mundo está inclinado e observando melhor essa questão do comportamento financeiro não apenas dos jovens, mas sociedade.
A expansão da rede
Presencial é melhor, mas a solução a distância favorece quem tem pouca disponibilidade de tempo para entrar em contato com esses conceitos muito novos, mas que estão se fortalecendo a cada dia. Educação Financeira e Educação Previdenciária significam mais cidadania e autonomia. Formação de massa crítica contribui para um sistema financeiro mais eficiente e sólido. No limite, estamos falando de desenvolvimento econômico e social. Por isso, a relevância desse webinar que, tomar, vire série!
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sábado, 18 de outubro de 2014
INSTRUMENTOS PARA MAIS LIBERDADE E FELICIDADE
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| Imagem do artista romeno Caras-Ionut |
Minha experiência pregressa havia me deixado mais dúvidas do que indicações de caminhos a observar. Até então a Arquitetura de Escolhas sempre me sugeriu uma abordagem funcionalista e manipuladora. Entretanto e felizmente, consegui entender que a proposta tem limites claros e um compromisso fundamental com a liberdade de escolha. Portanto, não se trata de uma panaceia mágica para substituir a construção da Educação Previdenciária que eu conheço.
No mesmo evento, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Rodrigo Cogo, da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial - ABERJE, que falou sobre storytelling - nome mercadológico para as práticas de contação de história, de CONVERSAÇÃO, apropriadas corporativamente para compartilhar valor. O formato da narrativa pode ser ficcional mas, preferencialmente, experiência de vida, casos reais.
As histórias têm os propósitos de inspirar e ser um apelo memorável, buscando disputar e atrair a atenção do interlocutor cada vez mais protagonista das interações comunicacionais.
Óbvio que é um trabalho de construção de longo prazo, de garimpo de histórias relevantes e significativas para as PESSOAS. Mais do que isso, pelo testemunho, pelo exemplo, pela influência, o que se busca, com a utilização desses recursos e instrumentos é empoderar as PESSOAS para que elas sejam autônomas, livres e felizes com as próprias escolhas, com as escolhas mais inteligentes e de valor.
Como construir um futuro melhor para a América Latina
A Educação é um desafio global. E a Educação Financeira está sob atenção do Fundo Monetário Nacional. Por isso, é tão relevante a proposta do trabalho Como construir um futuro melhor para a América Latina, ganhador de um concurso institucional, que a cientista política Mônica Sodré Pires apresentou durante a reunião do FMI em Washington - EUA (clique aqui).

A Educação, Educação Política e Educação para a Cidadania se alinham na abordagem do empoderamento das PESSOAS na cocriação da gestão pública. A questão não é simples mas é um caminho para se buscar o comprometimento, a responsabilidade e a coerência entre promessas dos representantes e eficiência nos resultados da gestão política.
No resumo da ópera: quanto mais consciente e responsável for o indivíduo sobre seu futuro, tanto mais ele reconhecerá que esse futuro depende de uma qualidade coletiva que, por sua vez é resultado das melhores escolhas.
Não, o despertar é um processo complexo. Mas viável, mas apoiado em experiências conscientes e pessoais. Esse conhecimento - graças a Deus - os nossos grandes educadores Paulo Freire e Rubem Alves nos deixou como legado sistematizado. E Viviane Mosé atualiza com energia de dinamite e quebra tudo, misturando neste caldo todo Educação em rede!
domingo, 12 de outubro de 2014
POR NOVOS MAPAS MENTAIS
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| Imagem do artista digital Francisco Albert Albusac |
O Efeito Borboleta é mais do que uma possibilidade Matemática. Trata-se da transformação do que há no que não havia e passa a ser - em escala - aqui, agora, tudo junto, misturado e ao mesmo tempo. Explico: faz duas semanas que eu estou envolvida com a produção de um conteúdo sobre o qual eu falarei amanhã, durante o 2º Encontro de Educação dos Fundos de Pensão, evento que será realizado pela Associação Brasileira dos Fundos de Pensão.
Como tudo que faço, trabalhei no planejamento do conteúdo, lapidei, testei. Tem sempre alguém querido que se dispõe a colaborar como "cobaia" no processo. Testei a estrutura do conteúdo com o professor Nivaldo Cândido de Oliveira. O resultado do teste tem margem de erro, é claro! Mas eu consigo sentir se faz ou não sentido aquilo que me proponho a compartilhar. E, por mais que o trabalho me pareça acabado, sempre penso nas lições dos professores Gil Giardelli e Silvio Meira: precisamos de novos mapas mentais para nos localizarmos neste mundo em modo beta perpétuo.
Por causa da teoria instigante - de Silvio Meira, Gil Giardelli, Clay Shirky, John Howskins - eu terminei usando reiteradamente o conceito de CONVERSAÇÃO neste trabalho que vou apresentar. Silvio Meira é literal: INOVAÇÃO É CONVERSAÇÃO. Jonh Howskins é literal: CRIATIVIDADE envolve CONVERSAÇÃO. O mantra de Gil Giardelli é COMPARTILHAMENTO. E Clay Shirky fala em PARTICIPAÇÃO. Dessa CONVERSAÇÃO derivam os conceitos e atitudes de cocriação, cooperação, protagonismo, origem do novo, da evolução, da revolução.
E aí, a coisa salta das letras para a vida
Bom, o fato é que, em razão desse envolvimento, desse mergulho com o processo de estruturação do conteúdo, deixei passar uma dica que vi nas redes sociais. O documentário Quando sinto que sei compartilhado - "coincidentemente" - por Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura que eu sigo pelo Facebook. Mas a informação ficou retida na memória e me incomodando até agora, quando decidi conferir. E a borboleta bateu asas!
O educador Tião Rocha, que conheci lendo Viviane Mosé, e seu trabalho fantástico com uma nova proposta de Educação e Brincadeira, Educação e Felicidade. Miguel Nicolelis, o neurocientista brasileiro do projeto Walk Again, criador do Manifesto da Ciência Tropical e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal. José Pacheco, da Escola da Ponte. Tanta gente fantástica que, de alguma forma eu conheço. Mais! Tanta gente fantástica que eu nem sonhava que existia. Uma maravilha!
Mas o que eu mais adorei aprender foi que agora existe DESIGNER DE FLUXOS DE CONVERSAÇÃO. Luiz Algarra é um deles. E faz todo o sentido! Porque uma das tecnologias do século 20, a televisão, nos deixou expectadores demais! E o mundo em modo beta perpétuo oferece oportunidade para o PROTAGONISMO, para a transformação da informação em conhecimento e em sabedoria, em novas tecnologias sociais: convivência, relacionamento, compartilhamento, troca intergeracional, coletividade, consenso, solução de conflito, experiência de interdependência e complexidade.

O filme vai mostrando que o processo de consciência desencadeado pela CONVERSAÇÃO potencialmente modela novas escolhas, novos posicionamentos, novas inteligências. Preste atenção à reflexão das crianças a partir dos 12 minutos de exibição do vídeo. Aos 12'45", espontaneamente, surgem as conclusões lógicas e espontâneas: "Consumismo é uma droga, sabia?" . E, aos 19 minutos, você tem a integração Escola, Família, transformação financeira, transformação social, transformação da cadeia de valores humanos e promoção da cidadania.
Para quem desconhece - como eu desconhecia - Luiz Algarra, segue o TEDxSP. Mas no Youtube tem muito mais, graças a Deus!
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quinta-feira, 1 de maio de 2014
AS AÇÕES PARA A TRANSFORMAÇÃO QUE QUEREMOS
Estive todos esses dias trabalhando offline. Aí, não consegui produzir conteúdo para o CONVERSAÇÃO. Por isso, vou tentar compensar um pouco hoje. Afinal, tudo continua em movimento e evolução, apesar de nós.
Primeiro, vou registrar aqui o belo trabalho em produção de Relatório Anual de Informações. Mais uma vez a CBS Previdência fez um trabalho primoroso, baseado em um projeto de Comunicação que, a cada ano, surpreende pela qualidade técnica e, principalmente, pela sensibilidade editorial.
Este ano, a CBS apostou no tema projeto positivo de vida e, antes de apresentar os resultados institucionais, transformou a ideia em um poderoso storytelling, que tem por base a vida de uma participante. Para encerrar, trabalhou com os depoimentos de assistidos da Entidade. Só depois dessa sensibilização é que divulgou o balanço dos resultados institucionais 2013.
Quem não viu, confira (clique aqui). É uma imersão no universo de informações realmente relevantes para quem tem e não tem Previdência Complementar. Esse trabalho (muito diferente daquela proposta indecorosa do Resumo da IN PREVI nº 5) - didático, bonito, envolvente - tem uma proposta legítima de Educação Previdenciária e ainda orienta a busca de dados quantitativos, contábeis, de gestão de investimentos, atuariais - todos disponíveis na versão online. Compromisso e transparência! Muito mais do que ostentação técnica.
Didatismo e clareza
Conheci um outro trabalho com uma linguagem bem bonita produzido pelo Renato Follador. Ele é uma referência no mundo previdenciário, por seu didatismo na expressão de conceitos complexos. Renato Follador está com um canal de vídeos nas redes sociais que podem muito bem atender àquelas entidades fechadas de previdência complementar sem orçamento para fazer um programa autoral de Educação Previdenciária.
Semana da Educação Financeira ENEF
De 5 a 9 de maio de 2014 - nas principais capitais brasileiras - acontece a Semana Nacional de Educação Financeira que integra a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF). A programação é extensa, mas vale destacar algumas ações da agenda:
Primeiro, vou registrar aqui o belo trabalho em produção de Relatório Anual de Informações. Mais uma vez a CBS Previdência fez um trabalho primoroso, baseado em um projeto de Comunicação que, a cada ano, surpreende pela qualidade técnica e, principalmente, pela sensibilidade editorial.
Este ano, a CBS apostou no tema projeto positivo de vida e, antes de apresentar os resultados institucionais, transformou a ideia em um poderoso storytelling, que tem por base a vida de uma participante. Para encerrar, trabalhou com os depoimentos de assistidos da Entidade. Só depois dessa sensibilização é que divulgou o balanço dos resultados institucionais 2013.
Quem não viu, confira (clique aqui). É uma imersão no universo de informações realmente relevantes para quem tem e não tem Previdência Complementar. Esse trabalho (muito diferente daquela proposta indecorosa do Resumo da IN PREVI nº 5) - didático, bonito, envolvente - tem uma proposta legítima de Educação Previdenciária e ainda orienta a busca de dados quantitativos, contábeis, de gestão de investimentos, atuariais - todos disponíveis na versão online. Compromisso e transparência! Muito mais do que ostentação técnica.
Didatismo e clareza
Conheci um outro trabalho com uma linguagem bem bonita produzido pelo Renato Follador. Ele é uma referência no mundo previdenciário, por seu didatismo na expressão de conceitos complexos. Renato Follador está com um canal de vídeos nas redes sociais que podem muito bem atender àquelas entidades fechadas de previdência complementar sem orçamento para fazer um programa autoral de Educação Previdenciária.
Semana da Educação Financeira ENEF
De 5 a 9 de maio de 2014 - nas principais capitais brasileiras - acontece a Semana Nacional de Educação Financeira que integra a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF). A programação é extensa, mas vale destacar algumas ações da agenda:
- Workshop da Terceira Idade pela Rioprevidência - UERJ (5 de maio)
- Lançamento da terceira temporada da série em audiovisual O Porco e o Magro - virtual (5 de maio)
- Palestra Cidadania Financeira BCB - Porto Alegre (5 de maio) - extensivo a outras capitais
- Oficina de gerenciamento de dívidas - Programa Sonhos Reiais - Serasa Experience/SP (6 de maio)
- IX Seminário de Educação Previdencíária PREVIC - IBRAM/DF (7 de maio)
É um evento realmente grande e merece atenção e a participação de todos. Sempre dá para prestigiar algum trabalho, porque a programação acontece durante o dia inteiro simultaneamente e diferentes localidades (clique aqui para conferir a agenda).
Mesmo grande, ainda pouco
Os problemas de analfabetismo financeiro, analfabetismo previdenciário e - principalmente - analfabetismo cívico ainda são imensos no Brasil e no mundo. Mas a mudança começa pela ação! E todas essas ações reunidas - do relatório ao evento - é que vão catalizar a mobilização da sociedade em discussões que vão desde o orçamento doméstico até avaliação de rating pela S&P.
Saber o que tudo isso junto pode transformar é caminho para o crescimento do país, porque pode significar consciência e atitudes mais convergentes à Proteção Social ao invés do protecionismo populista em nome do qual tantas decisões lamentáveis são tomadas.
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
ASAS: O PENSAMENTO PRECISA DELAS PARA VOAR
O livro é o primeiro recurso. Na infância, eu me encantava com o enredo das histórias, os personagens. Quando amadureci um pouco mais como leitora, passei a admirar também a capacidade de compartilhamento dos autores. Eles estudam anos e registram e analisam e sintetizam. Os mais radicais até mesmo concluem pensamentos. Os menos, mantém a porta aberta às possibilidades.
Terminei na manhã de domingo a leitura de A escola e os desafios contemporâneos, de Viviane Mosé. Livro excepcional que me fez entender a diferença entre escola e educação, que tem na escola um alicerce, mas está muito além dele. Porque, para pensar em inovação, você tem que libertar a percepção condicionada pela estrutura de instituição que está em todos os lugares: hierarquizada para produzir cidadãos em série. É um soco no estômago. A leitura incomoda. Mas ensina outras formas de pensar. Vale para as escolas. Vale mais para a vida, para quem já não está na escola, mas sente que Educação é para sempre.
Como não achei suficiente ler Viviane Mosé, sigo a fanpage da autora pelas redes sociais, porque lá ela compartilha vídeos que mostram as ideias e reflexões registradas no livro colocadas na prática por inovadores, por inspirados, por transformadores. Eu já publiquei aqui o vídeo da Escola Maria Peregrina. Hoje é a vez do Projeto Âncora. O que mais me chamou a atenção neste trabalho é a troca intergeracional, sobre a qual eu já escrevi aqui. Essa é a primeira quebra paradigmática que me chamou à atenção, pela evidência e reiteração. Os adultos neste Projeto são mais velhos, mas interagem com naturalidade com as crianças.
Dos muitos condicionamentos naturalizados, a exclusão é a mais triste. Eu mesma aprendi a gostar de histórias com os meus avós. Era um processo de mergulho no imaginário sobre o qual eu já escrevi aqui. Depois, conforme fui me instrumentalizando - com a alfabetização - passei a ganhar autonomia e companhia de outros adultos: meus pais, que acompanhavam a minha evolução na escola, os professores.
Compartilhamento é amor
Na noite de domingo, encontrei na minha timeline um vídeo. É longo, mas vale todo o investimento de tempo. Trata-se de uma reflexão do professor Clóvis de Barros Filho (ECA/USP), que filosofa sobre liberdade e amor nas empresas. Ele dá sequência ao pensamento sobre a instituição-escola no espaço instituição-empresa. "Viver é um pouco mais complexo (...) do que as fórmulas de qualidade de vida, comer linhaça, correr na praia, ou seguir as dicas de qualquer pessoa que queira zombar de sua inteligência, diminuir a tua liberdade e a tua soberania para encontrar por você mesmo, com a tua inteligência, o melhor caminho".
Se você assistir à palestra inteira, viu que ele explica a relação entre compartilhamento e amor. E isso me faz pensar que amor é uma experiência que depende da percepção. Porque eu me sinto muito amada depois de lutar com um livro, perseguir o pensamento do autor em um vídeo.
Aquele compartilhamento pode até me incomodar, como me incomodou pensar em um mundo da não-escola que eu não conheço ainda, mas as gerações futuras conhecerão. Eu me sinto incomodada por pensar em não-empresas porque, por enquanto, mesmo sendo profissional liberal, eu repito rotinas de quando trabalhava como empregada. Eu ainda não ampliei meus sonhos, como percebi com o incômodo da leitura de Silvio Meira.
Mas eu nunca saio de um processo desses sem me transformar. "O futuro vem do futuro", mantra de Sílvio Meira. Se eu não conheço, se ainda não existe, é só uma questão de tempo que, como sabemos, é cada vez mais agora. E sim! Eu quero estar atenta e forte para viver essas novas propostas de ser.
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sábado, 4 de janeiro de 2014
VIDA E MORTE: DO LINEAR AO MULTIDIMENSIONAL
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| Imagem de fogos de artifício em longa exposição (para ver mais clique aqui). |
2014 chegou na minha vida de uma forma muito paradoxal: com uma experiência de morte em família enquanto eu abastecia minhas ideias com conceitos de educação, emancipação e transformação.
Já escrevi aqui, mas vou relembrar, eu preciso de um tempo para processar e interpretar as informações de um jeito que eu mesma entenda. Isso quer dizer linearmente. Porque foi assim que eu aprendi: em casa, na escola, no trabalho, no mundo. Mas estou cada vez mais convicta de que tudo isso vai mudar. E logo!
Por que comecei este post com uma informação sobre morte? Porque estes dias me mostraram que a morte não é um fato isolado da vida. Morte e vida são realidades integradas, como as engrenagens da escultura cinética 3D, apresentada no vídeo do post de ontem. E eu não consigo parar de ouvir aquela frase do professor Gil Giardelli (ESPM/ECA-USP): "Precisamos de novos mapas mentais". Ele se referia às redes sociais, claro, em razão de um recorte metodológico adequado ao objeto de análise teórica em questão... mas eu sinto que é muito mais do que isso!
O pensamento linear é próprio para uma leitura simplificada da realidade. O que eu preciso agora é de um pensamento 3D porque quero a complexidade da realidade. Cuidado com os seus desejos, já alertava o Profeta Isaías! E - neste caso - eu também sinto que esta necessidade vem acompanhada de muito mais consciência, portanto responsabilidade, pelas próprias escolhas, pelo próprio posicionamento. Acho que Albert Einstein pensava em 3D por isso ele, além de Físico, foi um humanista formidável. Não se trata de uma experiência hightech ou metafísica. É algo que sempre esteve lado a lado comigo, como a vida está lado a lado com a morte, mas até então eu só tinha aceitado, sem sentir o fato de uma forma mais próxima e objetiva.
A Educação por Viviane Mosé
Estou lendo A escola e os desafios contemporâneos, de Viviane Mosé. Um trabalho fantástico, por meio do qual ela resgata a história desse formato de pensamento linear, ditado, passivo, reativo, baseado na opressão e no medo. Ao entrevistar os grandes operadores da Educação no Brasil e em Portugal, Viviane vai reconstruindo essa experiência de transformação perpétua que há em tudo que existe, no conhecimento, no pensamento. Ela pode! Ela é psicóloga e psicanalista, mestre e doutora em filosofia. Professora e comunicadora. Educomunicadora.
Então o livro é um mosaico de engrenagens interdependentes, similares à escultura cinética 3D! Cada depoimento além de revelador, elucida aspectos dos demais depoimentos registrados por Viviane, organizadora da obra. Lindo! Quer um exemplo?
Moacir Gadotti: "Porque o desenvolvimento do mundo, o desenvolvimento global se baseia em inovação, a inovação se baseia no conhecimento e a escola pode ser esse lugar de produção do conhecimento. (...) acho que as escolas são do tamanho do planeta. A escola não é um espaço físico, não é um prédio, é um conjunto de relações sociais e humanas".
Tião Rocha: "Um diretor de uma fundação, na época, recebeu aquele papel e me telefonou: 'Tião, recebi um projeto aqui, mas ele é muito estranho, porque não tem objetivos, tem não objetivos. Como é que vou financiar um projeto com não objetivos? Você vai ter não financiamento'. Respondi: 'E o senhor vai ter não resultados'. Então, ele propôs o seguinte: 'Pratique isso, porque é uma ideia muito maluca, daqui a seis meses você me fale se conseguiu algum resultado'. Foram seis meses de desaprender, de tentativa de não reproduzir a lógica que a gente questionava [INOVAÇÃO].
(...) Essa experiência que começou ali no sertão de Minas, em Curvelo, começou a se multiplicar, a se espalhar por várias regiões. Regiões que primeiro eram áreas de encrenca, somos movidos a encrenca, boas encrencas, tivemos o desafio por exemplo, de trabalhar lá no Espírito Santo (...) de lá fomos para o Sul da Bahia, em Porto Seguro, fomos para o Maranhão, para o Jari, na Amazônia, formos para Moçambique, na África e fomos trabalhar em áreas como Santo André, em São Paulo, e o Vale do São Francisco, na trilha do Guimarães Rosa, e depois no Vale do Jequitinhonha".São entrevistas fascinantes, linearmente separadas mas, em um filme, elas poderiam travar um diálogo multidimensional porque toda a experiência de escritura e leitura poderia ser reeditada por temas: a Educação, a evolução histórica da Educação no Brasil, a Comunicação, os processos de troca simbólica, os processos de afetividade, a sustentabilidade, a cidadania, as experiências transformadoras de mundo.
Em relação à Comunicação, eu particularmente, fiquei muito comovida quando li Viviane Mosé escrever:
"Por isso é bom que na escola se adquira o gosto pela política, não por meio de aulas expositivas, mas vivendo em um ambiente democrático, aprendendo a ser intolerante com as injustiças e exercendo sempre o direito à palavra".Para mim, essa reflexão dialoga com Tião Rocha que explica isso de uma forma especialmente bela:
"Paulo Freire para nós foi inspiração absoluta. Brinco muito, digo que ele é o contrário do Evangelho segundo São João, "do verbo se fez homem". Digo que, no caso de Paulo Freire, o homem se fez verbo, ou seja, ele deixou de ser pessoa para ser, para nós, ação. (...) Paulofreirar é toda essa dimensão da vida, da cultura, da ética, da solidariedade como matéria-prima fundamental da aprendizagem, de qualquer aprendizagem".Para mim, só aprendendo a ler a morte - real e simbólica - presente no agora da vida, que se faz a transformação, a inovação, a superação, a evolução do pensamento e do jeito humano de ser.
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
OPERATOR E OS DOWNLOADS FANTÁSTICOS DE MATRIX
The Matrix (clique aqui) é um filme lançado em 1999 virou cult por diferentes motivos, inclusive sucesso de bilheteria, mas principalmente pela linguagem metafórica, cheia de referências literárias, e alegórica.
Eu fiquei impressionada com alguns elementos: cascata digital, decifrável apenas para quem fosse capaz de dominar o código binário. Na época, eu já tinha escolhido o tema do meu mestrado: indicadores quantitativos. Então, para mim, essa cascata simbolizava uma especialização sofisticada de leitura, interpretação e precisão da expressão.
Ali, na interface homem/máquina, era possível localizar brechas, oportunidades, vulnerabilidades de um sistema altamente centralizador e dominante. O leitor do futuro! Cypher foi o primeiro personagem coadjuvante que me sensibilizou nesta história. Curioso é que ele é o que sucumbe à tentação das sensações ilusórias do software e trai o grupo.
O segundo personagem secundário mais interessante da saga é o Tank. Mais do que leitor, ele atua como um consultor para downloads. O papel dele é - por meio de downloads supereficientes - capacitar o protagonista Neo a realizar sua missão. Tank é o mega bibliotecário super-hightech do futuro.
Muito provavelmente esses dois personagens coadjuvantes e auxiliares do herói eram nada atraentes e associados ao processo doloroso e pouco estético que representava a conexão de Neo com as informações compartilhadas. Você se lembra? Um um cabo tosco, com uma agulha gigante conectado à cabeça do protagonista? O plugue mais parecia uma tampinha de garrafa misturada com uma rolimã. Medonho! Mas uma alusão forte à associação conhecimento & dor!
Desde que vi Matrix, sempre sonhei com a parte dos downloads... obvio que sem a parte da dor física. Gosto mais da ideia de implantação de chip do professor Miguel Nicolelis. Importante lembrar também que o download por si só não habilitava o herói. Ele tinha que superar o medo para adquirir os benefícios do conhecimento! Hááááááááá! É a predisposição para aprender e só aprende quem realmente quer.
Portanto, subliminarmente, em 1999 - no auge do individualismo capitalista real - a alusão a processos de cocriação para a solução de problemas já se manifestava. O filme registra essa demanda. Matrix é o tema deste post porque comecei 2014 colaborando com uma reflexão do professor Nivaldo Cândido de Oliveira Júnior, da SUPORTE Consultoria e Treinamento, sobre o futuro do mercado de trabalho e formação universitária. Depois, porque estou lendo Viviane Mosé, no livro A escola e os desafios contemporâneos.
Pensar e falar
Para mim, os maiores desafios de todos os tempos ainda são pensar e expressar. Pensar porque o pensamento - especialmente no Brasil - está muito condicionado pela aceitação passiva do conhecimento. Pensar é questionar, é submeter o conhecimento - que é conceitual - à materialização: prova de sua aplicabilidade, de sua competência - ainda que potencial - para a transformação.
Hoje um fato que me impressiona muito é a criatividade com as impressoras 3D. Estruturas concebíveis apenas em ambiente virtual, devidamente matematizadas, ganham materialidade no mundo real. É o que mostra o vídeo da Mechaneu v1, uma escultura cinética com 64 engrenagens interdependentes: quando uma é acionada, todas giram. Ela foi produzida em uma única operação, com cada engrenagem em sua posição definitiva. Para isso, foi necessário desenvolver um software autoral, com um milhão de polígonos. Conhecimento complexo em ação!
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| Cypher: intérprete da Matrix e traidor |
Ali, na interface homem/máquina, era possível localizar brechas, oportunidades, vulnerabilidades de um sistema altamente centralizador e dominante. O leitor do futuro! Cypher foi o primeiro personagem coadjuvante que me sensibilizou nesta história. Curioso é que ele é o que sucumbe à tentação das sensações ilusórias do software e trai o grupo.
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| Tank: o cara dos downloads |
O segundo personagem secundário mais interessante da saga é o Tank. Mais do que leitor, ele atua como um consultor para downloads. O papel dele é - por meio de downloads supereficientes - capacitar o protagonista Neo a realizar sua missão. Tank é o mega bibliotecário super-hightech do futuro.
Muito provavelmente esses dois personagens coadjuvantes e auxiliares do herói eram nada atraentes e associados ao processo doloroso e pouco estético que representava a conexão de Neo com as informações compartilhadas. Você se lembra? Um um cabo tosco, com uma agulha gigante conectado à cabeça do protagonista? O plugue mais parecia uma tampinha de garrafa misturada com uma rolimã. Medonho! Mas uma alusão forte à associação conhecimento & dor!
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| Neo: o implante do plugue de conexão |
Portanto, subliminarmente, em 1999 - no auge do individualismo capitalista real - a alusão a processos de cocriação para a solução de problemas já se manifestava. O filme registra essa demanda. Matrix é o tema deste post porque comecei 2014 colaborando com uma reflexão do professor Nivaldo Cândido de Oliveira Júnior, da SUPORTE Consultoria e Treinamento, sobre o futuro do mercado de trabalho e formação universitária. Depois, porque estou lendo Viviane Mosé, no livro A escola e os desafios contemporâneos.
Pensar e falar
Para mim, os maiores desafios de todos os tempos ainda são pensar e expressar. Pensar porque o pensamento - especialmente no Brasil - está muito condicionado pela aceitação passiva do conhecimento. Pensar é questionar, é submeter o conhecimento - que é conceitual - à materialização: prova de sua aplicabilidade, de sua competência - ainda que potencial - para a transformação.
Hoje um fato que me impressiona muito é a criatividade com as impressoras 3D. Estruturas concebíveis apenas em ambiente virtual, devidamente matematizadas, ganham materialidade no mundo real. É o que mostra o vídeo da Mechaneu v1, uma escultura cinética com 64 engrenagens interdependentes: quando uma é acionada, todas giram. Ela foi produzida em uma única operação, com cada engrenagem em sua posição definitiva. Para isso, foi necessário desenvolver um software autoral, com um milhão de polígonos. Conhecimento complexo em ação!
Antes da escola, as PESSOAS estão preparadas para essa nova realidade e esse novo pensamento 3D? As PESSOAS estão preparadas para a complexidade? As PESSOAS estão preparadas para assumir um posicionamento questionador diante desses fatos? O que esta escultura cinética representa? Para mim, é uma metáfora simplificada do pensamento articulado, complexo, integrado, interdependente, que transforma dado e informação em conhecimento e expressão, uma vez que a expressão é a materialidade primeira do pensamento.
Pensar 3D vai muito além dos conceitos matemáticos. É um chamado para a cidadania sustentável. Que estruturas globais podem ser implementadas e que nos leve como espécie para uma base de futuro sólida? Se os robôs vão assumir muitas das funções humanas, qual será o papel do ser humano no futuro? Os robôs nos substituirão nos trabalhos insalubres como a limpeza urbana, coleta, reciclagem, tratamento e a destinação adequada do lixo que produzimos? Os robôs limparão os rios que estão poluídos? Tratarão as águas para torná-las potáveis?
As perguntas importam mais do que as respostas e o futuro vem do futuro, como ensinou tão lindamente o professor Silvio Meira no livro Novos negócios inovadores de crescimento empreendedor no Brasil. Temos que nos habituar com a reflexão colaborativa. Com as redes sociais, com as informações online, o processo é bem menos dolorido. Mas exige que se saia da zona de conforto da aceitação da solução acabada. As PESSOAS e a realidade estão em modo beta. O futuro exige essa predisposição. Quanto às respostas, não há o que se preocupar. Diz a lenda que elas estão escondidas nas entrelinhas das perguntas.
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