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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

QUANDO A OPORTUNIDADE EXIGE CONEXÃO


No último dia 31 de janeiro, assisti à cerimônia de posse das novas diretorias da ABRAPP, SINDAPP e ICSS. Algumas demandas presentes foram compartilhadas nos discursos dos dirigentes: adesão automática, modalidade de tributação [progressiva ou regressiva] na concessão do benefício de aposentadoria, tributação diferenciada e alíquota zero para quem conquista o benefício de aposentadoria, aumento da atratividade dos planos especialmente para os jovens e profissionais liberais. Pode parecer ficção, mas todos esses os temas serão vetores de ações institucionais nos próximos anos.

Sou testemunha de um tempo em que outros temas foram objeto de ceticismo, de descrença e discórdia. Vou citar dois: a UniAbrapp e a certificação, hoje consolidados entre os estimados 15 mil profissionais que integram o Sistema Fechado de Previdência Complementar. Desses, 5.400 estão certificados. O dado foi reiteradamente citado durante a cerimônia de posse. Uma conquista estratégica, pelo potencial para mais excelência técnica e aprimoramento das melhores práticas que garantem a gestão de benefícios previdenciários para 7 milhões de brasileiros.

É bom ver os números! E isso me faz pensar nos números que pesquisei sobre Educação Previdenciária, apresentados em meu post anterior. Se calculei corretamente, o aumento da presença do tema junto à sociedade - nos últimos oito anos - aumentou 300%.  

Para mim, hoje, esse percentual significa um monte de perguntas:

  • Quem são essas pessoas que estão buscando informações sobre Educação Previdenciária? Qual a idade? A escolaridade? 
  • Onde trabalham?
  • Onde moram?
  • Elas têm acesso a produtos de natureza previdenciária?
  • Qual a possibilidade de elas terem acesso mas não aderirem a um plano previdenciário oferecido por um fundo de pensão?
Hoje, quando faço uma pesquisa no Google sobre, por exemplo - livro X, imediatamente anúncios sobre o produto pesquisado começam a invadir todos os espaços onde navego. Nem sempre compro. Mas tenho acesso a ofertas e apelos à compra. Robôs e instrumentos de geolocalização são cada vez mais precisos e eficientes nessa identificação e direcionamento da Comunicação.

O público que a Previdência Complementar Fechada quer atingir está prioritariamente em rede. Essa é uma janela de oportunidade que precisa ser analisada e bem aproveitada. Penso que uma integração institucional [ABRAPP, UniAbrapp, SPPC), poderia viabilizar ações de SEO (Search Engine Optimization) e SEM (Search Engine Marketing). O desafio precisa chegar aos profissionais de TI, a resposta certamente está ao alcance da rede.

Até onde posso afirmar, o aumento de 300% foi orgânico, espontâneo e impulsionado pela discussão sobre a Reforma Previdenciária que está em pauta no Brasil. Portanto, caso essa janela de oportunidade não seja aproveitada, a tendência - quando o tema sair de pauta, é uma diminuição do interesse pelo assunto. E aí, surgem mais perguntas: e se esse interesse fosse estimulado? E se esse interesse fosse objeto de um plano de marketing digital? Qual seria o resultado?

Penso que, não adianta apenas desencadear o fluxo. É preciso criar uma solução integrada de captação e retenção. Então, nos bastidores dessa abordagem digital, é necessário - no mínimo - um aplicativo que permita desde o acesso à informação até mesmo a adesão do interessado. É a integração de um processo inteiro de Tecnologia, Marketing, Direito Previdenciário, Atuária, Finanças! E depois, para a fidelização do novo participante, Comunicação e Relacionamento.

Pode parecer ficção tudo isso! Mas tem muito potencial para virar realidade. Afinal, quem poderia prever que uma geladeira tem potencial para fazer a compra de supermercado? Sociedade do conhecimento não é apenas uma expressão. É uma adaptação para a evolução no século 21. Então, por que eu sinto sempre essa sensação de que estamos perdendo tempo?

"Viveremos a voragem dos tempos revolucionários nas próximas décadas. Até agora eu vi a mais profunda transformação pela qual a imprensa já passou, e sei que estamos apenas no umbral de novas transformações [...] No momento em que você lê esta página, os números já mudaram. O tempo atual é o de um tsunami de mudanças. Por isso, mais importante do que falar da próxima coisa nova é entender que a mente deve estar preparada para compreender e se adaptar ao novo. Não é fácil. O novo é inquieto e contagiante. Atinge áreas que não se esperava fossem tocadas, produz efeitos não previstos". Mirian Leitão em História do Futuro - o horizonte do Brasil no século XXI

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

NOVE SUPERÁVITS CONSECUTIVOS: QUAL É A FÓRMULA?

Na semana passada, eu tive a oportunidade de assistir a um case da VALIA, durante o 2º Seminário Ética e Boas Práticas de Governança no Fortalecimento da Confiança, evento realizado pelo SINDAPP e pela SPPC. A apresentação me impressionou por muitos aspectos, dos quais eu vou destacar somente três: 

1. a objetividade e a simplicidade com que as informações foram compartilhadas, inclusive um dado que não está nos slides: a distribuição de nove superávits consecutivos para Participantes e Assistidos.

2. a estrutura de Comunicação e, principalmente, Educação que a Valia desenvolveu. Esta informação está nos slides (clique aqui). O que não está nos slides é que a área de Educação é a que - atualmente - mais cresce na Valia.
3. a estrutura de governança baseada em processos bem definidos, sistematicamente revisados e documentados.

O que eu quero dizer com esse post é que os nove superávits consecutivos distribuídos pela Valia não são resultados isolados de uma performance extraordinária da gestão financeira. É claro que a estratégia e a política de investimentos foram excepcionalmente bem desenhadas e executadas. Entretanto, será aleatoriedade que a área institucional que mais cresce na Valia é a de Educação

A boa governança, como é conhecimento de todos, não é somente um conceito. Trata-se de uma prática ética que sustenta as melhores decisões, a favor da coletividade. Fortalece a confiança por meio de resultados efetivos, naturalmente reconhecidos como valor: comprometimento, transparência, fidúcia, responsabilidade.

Interdependência

Nesse exemplo, fica evidente que os resultados refletem uma atuação orgânica da Entidade. O ambiente institucional saudável também favorece o posicionamento estratégico. E fica fácil imaginar que os feudos institucionais tenham sido extintos.

Se queremos estender a Previdência Complementar Fechada para toda a sociedade, convencer empregadores a incluir o benefício em suas Políticas de Gestão de Pessoas e mobilizar o trabalhador com a proposta de planejamento de futuro, devemos buscar e promover os exemplos que verdadeiramente representam o trabalho dos fundos de pensão. São intoleráveis desvios de conduta e de gestão que levem a prejuízos, déficits, CPI, degradação da imagem, reputação, representatividade. 

O futuro que queremos para nós e toda a sociedade é mais limpo, ético, respeitoso, cidadão. Outro modelo não nos interessa!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

QUEM TEM BOCA VAI A ROMA!

Post do Museu da Língua Portuguesa no Facebook:
"Quando um produto fica famoso por sua marca e esta acaba se tornando mais forte que o nome, chamamos metonímia, uma figura de linguagem. Algumas já estão até dicionarizadas em língua portuguesa, como isopor, cotonete, pirex. Mas, tem umas que dependendo do local (como em reportagens e publicações, por exemplo) nem podem ser usadas, então falamos o nome real para não ter que pagar uma multa às empresas que as registraram. Motoaquática é um destes produtos".

Acho que plano previdenciário e marca têm uma relação análoga à essa explicação entre nome do produto e marca que o Museu da Língua Portuguesa tão bem caracterizou no post. No dia a dia, a gente dificilmente diz: "Eu tenho um plano previdenciário". Mas a gente diz: "Eu tenho Funcesp, eu tenho Embraer Prev, eu tenho CBS Previdência, Sebrae Prev, Previ, etc". E isso é bacana para a marca.


Por isso, fiquei feliz hoje, quando vi no Facebook que a Previsc agora também tem um blogue (clique aqui). Diferente do site, o blogue tem uma infraestrutura mais flexível e relativamente mais simples para o compartilhamento de conteúdo. É menos engessado que um portal. É uma estratégia nova, com uma linguagem diferenciada para criar - no mínimo mais proximidade com os públicos de interesse institucional.

Também quero registrar aqui que a EMBRAER PREV, em outubro, lançou um aplicativo, para deixar à mão de Participantes e Assistidos as principais informações sobre o Plano Previdenciário.

Há pouco, estava acompanhando uma transmissão ao vivo de um seminário HSM sobre comunicação no século 21, com palestra do jornalista Marcelo Tas. Ele deixou claro que quando não se pode usar humor e emoção para se fazer comunicação, é fundamental usar a transparência. "Transparência não é opção", ele disse.

Para quem - como eu - é veterano na Comunicação e Educação Previdenciária, esta evolução é fascinante. Se na década de 1990, o foco era todo em gestores de produtos e serviços e os veículos de comunicação institucional vistos com certo descrédito, nos anos 2000 isso mudou um pouco e o foco passou a ser a solidez institucional, patrimonial. Não é sem motivo que as imagens que melhor expressavam esse valor corporativo em geral eramo do edifício sede e figuravam em nos impressos, especialmente nos Relatórios Anuais de Informação. 

Mais recentemente, avançando para a segunda década do século 21, podemos utilizar outros recursos para equilibrar com coerência as diferentes demandas de expressão em nossos trabalhos. Está mais claro também que o foco da Comunicação é o Participante, o Assistido e quem tenha interesse nos produtos, serviços e na mensagem institucional. 

Humor e emoção

Penso que humor e emoção - como apelos à identificação do público de interesse - são desafios maiores. Um exemplo que eu gosto muito é a atual campanha da Net, que usa um mascote humanizado (ele fala) para figurar nas peças publicitárias. Não são os humanos, mas o pet é que "vende" o serviço. Evidente que esse apelo, além de leve, termina sensibilizando o interlocutor. Além disso, é interessante observar que a relação entre pet/serviços de tv a cabo e internet é totalmente subjetiva e nada óbvia. Entretanto, na mensagem final fica bastante coerente. Além disso, o público de interesse institucional é a família.




Isso não significa que que os planos previdenciários necessariamente precisem adotar esse modelo. Mas ele parece funcionar, porque a campanha se sustentou no ar e virou série, com novos episódios. Nos mais recentes, o pet está até crescido!


O código dos jovens

Para encerrar este post, quero registar aqui uma outra estratégia que a Avon e a Alcatel estão utilizando para vender seus produtos, com linguagem e estética que apelam para os consumidores jovens. Aqui são elementos como grafismos, cores, acessórios, musica e a cantora/influenciadora que tornam a mensagem poderosa!



A Previdência Complementar também conta histórias para divulgar seus planos e serviços. O próximo passo é ousar na linguagem para agregarem estilo e valor aos planos e serviços que administram.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

"5 MILHÕES DE PESSOAS A MAIS, AO ALCANCE DE NOSSAS MÃOS!"




"Sem fazer grandes mudanças, nós temos ao alcance de nossas mãos, cinco milhões de participantes que poderiam entrar no Sistema no curto prazo". 
Antônio Fernando Gazzoni (Mercer GAMA).

Os resultados da edição 2016 da Pesquisa Raio X da Previdência Complementar revelam que há oportunidades para fazer com que a proteção previdenciária chegue a mais brasileiros. O que há de novo na foto? O tamanho demanda por Comunicação e Educação Previdenciária... Há demanda também para simplificação da adesão, desburocratização, tributação. 



Penso que - para fazer a diferença e um trabalho efetivo de mobilização social - o Sistema Fechado de Previdência Complementar precisa combinar estratégias de Comunicação e Educação Previdenciária para atingir esse público com ferramentas como geolocalização, redes sociais e marketing de busca (SEO, SEM, palavras-chave). 

Os conteúdos, mensagens, apelos devem chegar a esses 5 milhões de potenciais participantes por todos os meios, principalmente smartphones! No Brasil, esse é um meio de grande inserção e uso entre pessoas de todas as gerações. E por uma linguagem muito informal, se o jovem for o público de interesse dessa mensagem. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS) está com uma campanha muito bem sucedida no Youtube. Trata-se de uma sequência de 14 aulas com o propósito de ensinar à população o bom uso do cartão de crédito. De imediato, o que é possível constatar é o alcance da campanha: quase 58 milhões de visualizações. 


O que não dá para saber por esses dados é se a mensagem - além de consumo - se traduz em prática! De qualquer forma, o "call to action" para o compartilhamento do link do vídeo, definitivamente é um sucesso!

Atitude: palavra mágica!

É claro que podemos criar mensagens recheadas com conceitos, estatísticas, uma imagem institucional diferenciada para tratar do tema proteção previdenciária. Mas, como a própria edição 2016 da Pesquisa Raio X da Previdência Complementar adverte:

"Esses cinco milhões de pessoas 
precisam ser instadas, tocadas de uma forma diferente, com mídias diferentes, com uma comunicação diferente, com algum produto inovador". 
Antônio Fernando Gazzoni (Mercer GAMA).

O livro Atitude Empreendedora, de Mara Sampaio, tem 275 páginas destinadas a explicar o poder desencadeador da Atitude, não como palavra e conceito, mas como gesto assertivo, escolha direcionada.

É por isso que, como profissional de comunicação, considero que - junto da estratégia de Comunicação e Educação montada para fazer chegar e sustentar as mensagens a esse contingente de 5 milhões de pessoas é fundamental uma ferramenta que materialize o estímulo em atitude. Estou falando de algum aplicativo que converta a decisão de adesão em contribuição regular e extraordinária à Previdência Complementar, a exemplo do que as fintechs têm realizado com sucesso!

Se uma campanha de Comunicação e Educação como a da ABECS chega a quase 60 milhões de pessoas, com um "call to action"  em formato de app para smartphone, é razoável pensar em uma taxa de conversão de 5% (como as de e-mail marketing) para chegar a um retorno de 2,5 milhões de novas adesões, certo?

"Uma boa oportunidade 
é aquela que indica um diferencial criativo 
nos produtos e serviços existentes". Mara Sampaio


Parafraseando os memes das redes sociais:

O que nós queremos? Cinco milhões a mais!
Quando queremos? Já! 
O que vamos fazer para que elas sejam nossas? Comunicar e Educar pra sempre!

Fazer a campanha, disponibilizar o aplicativo são os primeiros passos. É preciso pensar em uma estratégia de sustentação e reiteração permanente das mensagens, conceitos, apelos, e incentivo à atitude previdenciária. Aí, penso que as melhores práticas da Entidades Fechadas de Previdência Complementar podem ser uma fonte de inspiração e de caminhos testados com êxito. A fidelização é um desafio permanente para quem está em negócios de longo prazo, como nós!

terça-feira, 21 de junho de 2016

REDE ATUA PARA A EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA

É interessante saber que a Educação Previdenciária é um desafio global. A edição maio/junho da Revista Fundos de Pensão - n° 404 traz o artigo A educação financeira na Europa - atitudes e comportamentos têm maior influência sobre o planejamento financeiro do que o conhecimento propriamente dito.

O texto trata do trabalho da Rede Internacional de Educação Financeira da OCDE (INFE) na expansão e sistematização das práticas e programas, mas aponta para a dificuldade de monitoramento dos resultados.

Entretanto, objetivos como criar soluções para elevar os níveis de educação financeira especialmente entre grupos mais vulneráveis como aposentados, imigrantes, trabalhadores de baixa renda e jovens. Mas a população economicamente ativa também é um grupo de atenção, em razão do aumento do endividamento. A Educação Financeira, como mostra o artigo, é uma meta tanto para países desenvolvidos - Dinamarca, Holanda, Reino Unido, quanto para países em desenvolvimento - Eslovênia, Ucrânia, Sérvia, onde a população sequer tem acesso aos serviços financeiros formais.
"Um relatório elaborado pelo Money Advice Service do Reino Unido revelou que cerca de 8,8 milhões de britânicos (18% da população adulta do país) possuem dívidas em excesso, um conceito que abrange indivíduos que estejam com pelo menos três meses de contas atrasadas ou que tenham declarado que as dívidas são um fardo para a família. O estudo concluiu que 64% dos endividados são mulheres e 75% têm nos de 45 anos. Vale ressaltar que o alto grau de endividamento está diretamente relacionado ao nível individual de educação financeira".
Complexidade e desinteresse

O artigo explica ainda a complexidade dos produtos financeiros como fator que exige um empenho maior do público para compreender suas características. Isso termina desmotivando o interesse e o engajamento especialmente de quem tem menos experiência e conhecimentos financeiros como jovens, idosos e imigrantes.

Fico pensando que aqui há uma questão interessante. Em tempos expansão das fintechs, como o Nubank, (clique aqui) - que chegaram para competir com os bancos -além de taxas mais competitivas pelos serviços, essas startups oferecem também serviços mais simples e ágeis. E ainda apontam para o engessamento das estruturas financeiras tradicionais. No Brasil, os fundos de pensão estão começando a usar aplicativos financeiros até para alavancar resultados operacionais e financeiros, além da Educação Financeira e Previdenciária que também já chegou aos smartphones.



Fico pensando que - a exemplo do trabalho da INFE, o Brasil também precise de uma rede que reúna as boas práticas implantadas pelas Entidades Fechadas de Previdência Complementar. Aliás, isso é um projeto da Comissão Técnica Nacional de Educação da ABRAPP. Aqui, penso que seja importante uma interface futura com a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), em razão de se estender o trabalho para as crianças e jovens em idade escolar.



O mais importante é entender que a atitude financeira e previdenciária não se restringe à relação positiva com o dinheiro. Ela é uma mudança integral que envolve plano de vida sustentável. É preciso entender que, desde 2009, há uma crise estrutural global. Seus reflexos são desemprego, automação de processos, desigualdade. Atitude financeira e previdenciária é competência para desenvolver resiliência, adaptabilidade, liderança e vantagem competitiva neste cenário hostil. É neste ambiente que - curiosamente - estamos vivendo por mais tempo. 

É por isso que todos os instrumentos estratégicos devem convergir a favor da continuidade - das pessoas, das instituições, do planeta. Mais do que nos números, no comportamento estão muitas das chaves do futuro. 



terça-feira, 3 de maio de 2016

AS MUITAS EXPRESSÕES DO RAI


Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de Relatórios Anuais de Informações (RAI). Em uma só peça, as principais decisões estratégicas, os resultados de gestão, o cenário macroeconômico, os riscos sistêmicos, os riscos contingenciais. É muita informação que segue além: as adesões aos planos, as captações de contribuições, os empréstimos concedidos, os benefícios pagos, os perfis demográficos e as escolhas de investimentos.


Como tão bem pontua o mote do arrojado Relatório Anual CBS: Entregamos Valores! Escolhi três exemplos porque tive acesso a eles por ação de e-mail marketing e por post nas redes sociais. Para o RAI da EMBRAER PREV, pelo quarto ano consecutivo, eu tive a satisfação de contribuir com parte do conteúdo.

Os três - OABPrev-MG, CBS Previdência e EMBRAER PREVestão divulgados em versão digital, cumprindo com as orientações legais, mas principalmente, materializando o valor da Transparência, porque esses Relatórios apresentam balanços contábeis, avaliações atuariais, avaliações de auditorias, controles internos, governança. Cada uma dessas informações se refere a projetos de longo prazo. A CBS Previdência tem 55 anos de história. A OABPrev-MG e a EMBRAER PREV estão consolidando passos arrojados rumo ao futuro.

Recursos de expressão

Pelas perspectivas da Comunicação e da Educação Previdenciária, acho fascinante as escolhas de recursos que traduzem a abordagem técnica em atributos tangíveis e intangíveis da gestão. E aqui não se trata de comparar, mas do exercício de aproximação e conhecimento do outro para adquirir aprendizado.


Cada um tem voz e recursos individuais e personalizados de expressão. Ainda que tenham mensagens semelhantes, cada um dos Relatórios tem uma solução de Comunicação singularmente criativa e persuasiva. Cada um deixa a própria pegada na imaginação do interlocutor.

E todos - inclusive os que eu deixei de referenciar aqui - falam da excelência do Sistema de Previdência Complementar Fechado que precisa crescer para democratizar a proteção e a cultura previdenciária no Brasil.

Talvez um dia, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) faça uma galeria online de todos os RAI anualmente produzidos e encaminhados para prestar contas sobre a gestão institucional, sobre como cada Entidade coloca em prática cada determinação oficial e vai além, em seus programas de relacionamento, engajamento e fidelização do Participante e de Patrocinadoras. Vai além em seus Programas de Educação Previdenciária que extrapola e chega às famílias de Participantes e Assistidos. Nada mais do que um gesto de reciprocidade! Afinal a PREVIC é o principal destinatário e catalisador de todas essas mensagens. 


Mas - como todo bom texto - um RAI tem alcance próprio. Prova disso sou eu mesma, que leio aquele que me vem às mãos. Tenho o maior respeito pelo repertório que cada um deles carrega. É muito trabalho reunido!

Sempre ouvi que os planos de previdência complementar deveriam ser "consumidos" dentro da categoria objeto do desejo. Para mim, o RAI é a peça de Comunicação que melhor permite a "venda" desse conceito, por ser portador de uma história construída ano a ano. Por apresentar projetos de sonhos e sonhos realizados. Por mostrar valores previdenciários transmitidos de geração a geração. Por mostrar profissionais liberais construindo seu próprio futuro.
O RAI, portanto, é uma coleção de fatos que dá testemunho próprio sobre a trajetória da Previdência Complementar no Brasil.

Ainda que exija um fôlego maior de leitura - como muitos críticos insistem em apontar - os RAI têm evoluído e mostrado cada vez mais a relação entre decisões, números, resultados e sustentabilidade da vida. São referência e legado de passado, presente e futuro para crédulos e céticos, para quem tiver olhos de ver!

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

DUAS MARCAS DE VALOR EM UMA HISTÓRIA DE PROFISSÃO

50 anos de vida são curiosos. E, ainda que eu assumidamente não seja boa de números, resolvi fazer uns cálculos. Comecei a trabalhar muito cedo e - em várias situações - atuei em atividades paralelas. Descrever tudo seria muito cansativo. Então, só para simplificar aqui, houve uma época em que - durante quatro anos - eu fui simultaneamente jornalista e docente. 

Fosse organizar essas experiências profissionais em uma linha contínua e progressiva de tempo, provavelmente eu já trabalhei os meus 50 anos de vida. 2016 tem duas marcas relativamente recentes na minha carreira. E eu quero, desde já, deixar já apontadas aqui neste post, porque as duas farão aniversário durante o 37º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, evento que a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP) realizará no segundo semestre.

10 anos de Prêmio Rio Nogueira

Insisti muito até conseguir permissão para participar do Concurso. Depois, como o prazo já estava expirando, eu trabalhei muito - na ponte e no feriado de 7 de setembro - para apresentar o conteúdo completo, coeso, formatado de acordo com as regras todas do edital. 
O dia da divulgação do resultado, passei com o coração aos pulos. Eu estava em uma reunião técnica, quando recebi uma ligação interna. A ABRAPP tinha avisado que o meu trabalho estava entre os premiados. Naquela noite, eu não dormi. O texto está online (clique aqui). O troféu ficou comigo. A cerimônia de entrega foi em Curitiba, durante o 27º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão.

Em 10 anos, eu presenciei a maior revolução na Comunicação, desde Gutemberg. Na transição do século 20 para o século 21, a humanidade substituiu a Era do Papel pela Era da Comunicação Digital em Rede. E - mesmo sendo uma apaixonada por papel - eu tive que me transformar em uma entusiasta das novas Tecnologias da Comunicação e da Informação e migrar. Migrar para o ambiente virtual, sem fronteira, mais imediato, mediado por imagens. E aí, cara pálida, já sabe do que eu vou escrever agora, né?

5 anos de TV ABRAPP

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! E da parceria com o designer gráfico eu passei a trabalhar com cinegrafista, diretor de imagem, apresentadora e toda a equipe envolvida nos bastidores, na produção e na divulgação deste trabalho. Minhas praias são planejamento, roteiro, captação e edição de conteúdo. 

A TV ABRAPP - que foi institucionalizada em 2011 no 32º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão - me fez evoluir para integrar na minha produção os conceitos: colaborativo, participativo, co-criação, rede. Também me fez descobrir uma paixão ainda maior pelas palavras. 

Quando eu só escrevia, eu gostava da plasticidade das palavras do meu vocabulário e das histórias que eu ouvia e depois recontava em texto.  Com a TV ABRAPP eu passei a me envolver com o vocabulário dos entrevistados e com as histórias que eles contavam. Eu queria que todos pudessem compartilhar da minha emoção de ver e ouvir as histórias que eu testemunho, ainda que na maioria das vezes essas histórias sejam técnicas.

Aí que a coisa fica boa! Porque o conteúdo técnico me comove pelas perspectivas para quais geralmente ele aponta. E pelas conversas bacanas com gente que eu nunca sonhei conversar, mas que - naqueles momentos tão rápidos - compartilham uma reflexão, uma orientação, uma explicação, o conhecimento tão específico e próprio da Previdência Complementar. Não tenho uma estatística precisa, mas por estimativa, acho que 90% do conteúdo da TV ABRAPP tem tema técnico.

É obvio que vou encerrar este post com um vídeo [eu queria publicar todos os vídeos da TV ABRAPP aqui, mas são 1.193] e uma frase. O vídeo que eu escolhi é o mais recente que produzimos e que mostra um encontro de olhares - passado, presente e futuro. Trabalhar com Previdência Complementar é isso! A frase é de Octávio Paz: "Nós somos o tempo. Não são os anos que passam. Somos nós que passamos"... E agradecemos quando podemos trabalhar para transformar o que o tempo nos dá.


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terça-feira, 10 de novembro de 2015

REPOSICIONAMENTO A FAVOR DE EXPECTATIVAS REALISTAS

Na semana passada, trabalhei pela TV ABRAPP no Seminário O Desafio da Gestão dos Investimentos dos Fundos de Pensão. O evento teve uma programação muito focada na interpretação da conjuntura econômica e mostrou com muita clareza algumas demandas que todos conhecem:
  • o Brasil precisa poupar mais e melhor: o tema está desenvolvido no estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas [1], para a ABRAPP. Trata-se de um diagnóstico sobre o trabalho estrutural que precisa ser feito - Legislação, Comunicação, Marketing, Educação - para incluir os trabalhadores das pequenas e médias empresas na cobertura da Previdência Complementar. O potencial é de 3,7 milhões de novos entrantes.
  • gestão de investimento não é milagre: a estimativa é que somente 1% dos fundos de pensão consiga atingir a meta atuarial em 2015. Juros altos podem não significar superávit em cenário de inflação de dois dígitos. Esse quadro deve perdurar até 2017, porque a recuperação econômica depende do reposicionamento da política nacional. 
  • gestão do passivo impacta nas metas: em tempos de superávit, equilibrar as demandas do passivo - sem repasse para participantes e patrocinadores - era uma rotina com fórmula inclusive prevista pela legislação que, praticamente, automatizava esse processo. O conforto, entretanto, sempre teve custo.
    A mudança da economia, que dificulta resultados dos investimentos, evidencia cada vez mais esse custo e vai exigir mais agressividade para formar um patrimônio compatível com a longevidade de assistidos e, claro, dos benefícios previdenciários. Ou, como acontece em países de economia desenvolvida, a decisão da aposentadoria será cada vez mais adiada e o tempo de contribuição estendido.
    Saber mais sobre esse tema ajuda a lidar com os questionamentos legítimos que certamente acontecerão para 99% das EFPC na divulgação de seus resultados em 2015. É por essa razão, que compartilho aqui as orientações de Sílvio Renato Rangel sobre esse posicionamento mais realista em relação à gestão previdenciária.

  • Economia comportamental para a tomada de decisões da alta gestão: o longo prazo exige tempo para que os resultados se revelem. Entretanto, o cumprimento de meta é sempre avaliado anualmente. Lidar com a pressão do resultado no curto prazo e a prudência dos resultados sustentáveis e de longo prazo é complexo. É aí que surgem as ferramentas da Economia Comportamental como instrumento para apoiar a alta gestão na avaliação de impactos - imediatos e de longo prazo -  das decisões institucionais. A explicação é de Édner Bitencourt Castilho

Penso que todos esses estudos possam ser úteis na formulação do Relatório Anual de Informação (RAI), nas prestações de contas a Patrocinadores, na gestão de eventual crise de imagem institucional, na atualização dos argumentos utilizados em scripts dos serviços de atendimento ao Participante, nos posts institucionais das redes sociais, nas ações de Educação Previdenciária, nos jornais, revistas e informativos que serão produzidos até março de 2016.

A batalha que se trava em 2015 é maior, porque a conjuntura econômica está consumindo um tempo precioso, porque o mercado de trabalho está encolhendo drasticamente, porque a Educação Previdenciária que chega à sociedade não é suficiente para despertar uma consciência mais realista sobre a importância de poupar para o futuro. Ao contrário! O movimento que se fez nos últimos anos foi de um condicionamento a favor de um consumo predatório cujos impactos vão muito além do endividamento das famílias.

Não é simples protagonizar nestes momentos de mudança estrutural. Mas talvez esse seja o melhor momento para se reconduzir com mais lucidez tudo o que se diz e pensa sobre Previdência Complementar no Brasil.

Para encerrar este post, eu escolhi um vídeo de outro evento - o 36º Congresso Nacional de Previdência Complementar. Para mim, este vídeo é um épico porque, em poucos minutos, Nilton Molina conta dois séculos de história previdenciária e - principalmente - faz uma leitura comportamental da sociedade nas últimas décadas.  



[1] PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR E POUPANÇA DOMÉSTICA: DESAFIOS GÊMEOS NO BRASIL, estudo técnico realizado por José Rodrigues Afonso - economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas.

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sábado, 17 de outubro de 2015

PROFESSORES: OS VISIONÁRIOS QUE NOS AJUDAM A LER O PRESENTE E O FUTURO

As notícias do país e do mundo têm me feito mal. É só me expor demais a elas e me sinto impotente e desempoderada. Haja energia para ter otimismo frente a essa overdose de caos. Haja equilíbrio para se expor e se manter impermeável ao caos. Haja determinação para encontrar algum valor no caos.

Mas acho que é exatamente esse o exercício que o século 21 exige da sociedade. O professor Gil Giardelli (ESPM/USP), no livro Você é o que você compartilha - explica que a conexão trouxe uma espécie de euforia infantil. A rede aceita e a gente despeja todo tipo de informação nela. Desde ingênuos gatinhos, reuniões familiares, até extermínio de leões, elefantes, genocídios, corrupção, desvarios. A rede, por enquanto, espelha o circo dos horrores que a sociedade é. Desorganizada, caótica, cruel.

Com o tempo, a sociedade vai amadurecer e criar soluções mais avançadas para tratar dos desafios do cotidiano. A crise da credibilidade institucional será fato consumado. E as PESSOAS passarão a protagonizar as mudanças que elas desejam para si e para o mundo. Deste posicionamento compartilham Gil Giardelli e também o professor Clay Shirk.

Estou escrevendo sobre professores porque um dos dias desta semana - 15 de outubro - foi dedicado a eles. Eu estava envolvida com um job naquele dia. Daí, só parei agora para reunir algumas das influências que me ajudam a tratar do efeito criptonita do caos do mundo.

"O futuro vem do futuro"

Professores inspiram. Professores protagonizam. Professores se arriscam a buscar - no futuro - o que o presente ainda não materializou. É por isso que, neste post, cabem incontáveis referências. Octávio Ianni, Rubem Alves, Milton Santos, Albert Einstein. Mais do que professores, humanistas com olhos postos além do caos.

Eu não fui aluna de todos eles. Mas sou seguidora dos pensamentos que estão compartilhados em livros, na rede. Também não fui aluna de Silvio Meira (FGV/RJ) nem Eduardo Giannetti (USP). Mas li os livros e, pela TV ABRAPP, tive a oportunidade relâmpago e a honra de trabalhar presencialmente com eles este ano de 2015. 

Sílvio Meira dá uma aula sobre o potencial exponencial de transformação do mundo, via tecnologia. Mais do que informação, a conexão de COMPORTAMENTOS reconfiguram o espaço, o universo ao redor. É co-criação entre PESSOAS e INSTITUIÇÕES em rede que precisa ser interpretada e analisada como oportunidade de interação competente. O aproveitamento das oportunidades vai determinar o amadurecimento e a evolução da sociedade.  



O presente determina o futuro

Eduardo Giannetti da Fonseca - muito focado nos movimentos socieconômicos e nas tecnologias financeiras - explica o poder transformador da poupança interna. Além de poupar, o Brasil precisa ser mais competente, mais produtivo. Mais uma vez, a solução para esse cenário caótico depende da co-criação, do comportamento das PESSOAS.

Percebe a convergência? Um fala de tecnologia, outro fala de economia. Mas a síntese é a consciência das PESSOAS? Percebe a chave do tamanho? Percebe a resposta? Pode parecer óbvia, evidente. Mas é preciso afastar todo o caos para entender que o poder de fazer melhor, a saída, a luz que procuramos não está em políticas, máquinas, salvadores e heróis. 


Eu me ilumino e compartilho desta luz

Trabalhar com o futuro é uma aventura fascinante e assustadora: depende sempre de saltos quase sempre calculados e invariavelmente no desconhecido. Trabalhar com Previdência é evitar riscos, de preferência todos eles. Percebe o paradoxo deste exercício?

Por isso precisamos dos professores, dos visionários, dos protagonistas, dos inspiradores. Quem trabalha com Previdência tem por responsabilidade uma coletividade inteira de PESSOAS que faz o futuro ser diferente. Tem por propósito transformar comportamentos. Compartilhar consciência. Construir o que não há. Por isso, acho tão fantástico esse aprendizado. Acho tão visceral o compromisso de compartilhar essas vozes, essas reflexões: um tesouro de valor que vai além de todo o patrimônio que sonhamos formar e da proteção que queremos construir.

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terça-feira, 26 de maio de 2015

MUDAR A LINGUAGEM: SÓ PARA OS OBSTINADOS!


Como muitos brasileiros, eu assisto ao Jornal Nacional. O Jornal Nacional pauta a sociedade brasileira. Isso todo mundo sabe, mas é sempre bom reafirmar. E eu ouvi recentemente esse recado em uma palestra muito bacana sobre crise de imagem. 

Mas hoje eu quero refletir aqui sobre o propósito que o JN adotou de mudar a linguagem em 2015. Quem leu Jornal Nacional - Modo de Fazer, escrito por Willian Bonner sabe a complexidade envolvida no planejamento e na produção de cada edição que vai ao ar. Sabe também que a linguagem é a cereja do bolo.

"Ser entendido por todos os espectadores", na página 216 explica objetivamente essa obstinação. Mas recomendo que a analogia alegórica e metafórica que inicia o capítulo Os desafios do texto, que está na página 213 também seja lida. Depois, é claro, as recomendações parecem óbvias, mas nem todo mundo pratica. Construa frases com início, meio e fim. Em ordem direta para uma compreensão natural do espectador. Traduza palavras técnicas do economês, politiquês (aqui, por conta e risco, eu acrescento atuariês, juridiquês). E por aí vai!

A resistência de propósito frente à resistência à recepção

William (Lindo) Bonner não é só apresentador. Ele é o dono da padaria. Por isso ele deu no livro a receita do bolo. Fácil de fazer? Nunca! A edição do livro que eu tenho é de 2009. Na época, as redes sociais ainda não pautavam a linguagem da sociedade. Mas isso mudou.

E o Jornal Nacional precisou mudar para acompanhar as tendências e comportamentos da sociedade. Ninguém disse que seria fácil. Ninguém disse que não haveria escorregões. Ninguém disse que não haveria questionamentos do público.

Desde movimentos singelos como o uso do pau de selfie nos bastidores, para registrar flashes da produção das matérias até a sofisticada infraestrutura tecnológica que cria uma sensação de transmissão multidimensional. O estúdio com os apresentadores no Rio de Janeiro se funde com ambientes em outras localidades onde o JN opera: São Paulo, Nova York.

Até aí tudo muito hightech. Mas e a linguagem? Há poucos dias, Willian Bonner foi massacrado pelas redes sociais por um comentário pessoal sobre a aparência de um hacker suspeito sobre quebra de protocolos de segurança em avião (clique aqui). Bonner se desculpou no ar, na primeira oportunidade que teve, ainda naquela mesma noite.

Ontem foi a vez de José Roberto Burnier repetir um comentário das redes sociais, durante uma entrevista exclusiva de Luciano Huck e Angélica para o JN: "Agora é só segurar um pouquinho nos esportes radicais. E, da próxima vez, pra não deixar de fazer a brincadeira que está todo mundo fazendo, vai de táxi!". A reprovação da comunidade virtual foi imediata.

O que me chama a atenção é que o JN é produzido por profissionais muito, muito experientes, reconhecidos internacionalmente pela qualidade do trabalho que fazem . Mas - no desafio de renovar o formato para manter a liderança do programa - ainda derrapam nos processos de adaptação dos próprios comportamentos, posicionamentos e, até mesmo, compartilhamento do que parece consenso e terreno seguro nas redes sociais.

A cereja do bolo, também na Previdência Complementar 

Quem, como eu, tem estrada em Comunicação e Educação Previdenciária, sabe que a linguagem é um ponto de grande vulnerabilidade no trabalho que fazemos. Os operadores mais jovens já devem ter tido contato - ainda que em forma de lenda urbana - sobre como somos criticados por participantes e assistidos em relação à complexidade da expressão. É verdade. É verdade que usamos muitos termos técnicos. É verdade que dinheiro - por exemplo - tem diferentes nomes, dependendo do ângulo do processo previdenciário em que ele é descrito: contribuição, contribuição extraordinária, contribuição voluntária, reserva matemática, patrimônio previdenciário, benefício de aposentadoria, saldo de benefício. Quer outro exemplo? Cliente. Nos fundos de pensão a palavra representa um risco legal. Então, são usadas as variações técnicas: participante, assistido. E por aí vai.

Quando isso vai mudar? Quando houver consenso, evidentemente. Muitas resistências precisarão ser vencidas. Muita determinação precisará ser monopolizada. Mas veículos de Comunicação longevos são capazes de se adaptar aos novos tempos. É verdade que, às vezes, a gente se abate. Mas sempre tem alguém para nos inspirar a desenvolver a paciência e a obstinação. Hoje cedo, nas redes sociais, li na coluna de Fábio Betti Salgado, publicada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). 
"Eu digo que fazer Comunicação é uma arte. Comunicar como profissão – escrito assim mesmo, com caixa alta e baixa – é a arte de traduzir um mundo nem sempre coerente em algo que faça sentido. E o lugar onde o sentido se faz não é na cabeça, mas no coração. A grande Arte – escrita assim mesmo, com caixa alta e baixa – é a linguagem do coração, forjada muito mais pelo sentimento do que pela razão. 
(...) E isso só quem é artista mesmo consegue fazer: falar a verdade de uma forma que ajude a criar movimento, acreditando que tudo o que acontece à organização faz parte e poder ser útil a sua evolução, porque, acima de tudo, o artista é aquele que já tem a obra pronta dentro de si frente à tela branca, é aquele que crê para ver. A Comunicação também é isso, a Arte da esperança de que o mundo é sempre um lugar melhor para se viver quando as pessoas conversam e se entendem".
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

JOAQUIM LEVY, NELSON BARBOSA E A PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR

Oportunidade a gente agarra pelo topete. Porque ela é careca na nuca. Eu aprendi isso em um dos cursos que fiz pela vida. Acho que foi em um sobre Vendas, pelo Instituto Tadashi Kadomoto. Para ser honesta, no meu caso, as lições que eu consegui reter estão no nível subconsciente. 

Exceto esta sobre oportunidade. Eu lembro dela com frequência. Curioso que nunca antes da história, mas sempre depois, quando me dedico a fazer uma análise de avaliação de comportamento, proatividade, determinação, persistência e até mesmo inovação ou improviso para vencer desafios. Vou explicar tudo isso de um jeito muito prático.

Quando recebi o convite para fazer TV ABRAPP, eu fui honesta e me propus compensar minhas limitações com um trabalho alternativo. 

Sempre curti muito todo o processo, e valorizo cada etapa de trabalho, principalmente quando tudo está pronto eu posso compartilhar o conteúdo. Nunca pensei, entretanto que essa oportunidade fosse me ajudar a conquistar alguns registros tão valiosos. Os dois mais antigos são de Joaquim Levy falando sobre investimentos pela BRAM e o reconhecimento do trabalho estratégico dos fundos de pensão.




Na última semana, Joaquim Levy foi convidado na última semana para compor a equipe econômica do Governo. Ele deve assumir o Ministério da Fazenda em breve. Há dois meses, quando ninguém cogitava publicamente essa possibilidade, Joaquim Levy integrava o grupo de palestrantes do 5º Seminário A Sustentabilidade e o Papel dos Fundos de Pensão no Brasil e concedia mais um depoimento à TV ABRAPP.



Confesso que - às vezes - pela especificidade e complexidade dos temas que envolvem Previdência Complementar, fico meio intimidada de conversar com esses profissionais. Mas crio uma estratégia de abordagem, vou lá, brigo por ela e procuro materializar. Nem sempre dá certo. Mas quando dá, eu fico numa euforia infinita. Porque posso compartilhar o que vivencio com outras PESSOAS.

O teor das entrevistas é o que sempre me deixa mais empolgada. É ouvindo e interagindo sobre esse conteúdo que as interdependências da Previdência Complementar vão ficando mais claras para mim. Por exemplo: durante o 35º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, que aconteceu agora no início de novembro, a lição é explícita sobre a interface desenvolvimento econômico e social. Nunca o tema foi tão claro para mim. E, o registro fica nas palavras de Nelson Barbosa, professor da FGV que deverá assumir o Ministério do Planejamento.


Para mim, sem dúvida, é uma honra produzir pauta, ou conversar de improviso com profissionais tão experientes e gabaritados. Para dizer a verdade, eu nem penso muito nisso para evitar um black out emocional, uma vez que a minha personalidade tem uma tietagem inata pelas PESSOAS e um fascínio pelo trabalho.

TV ABRAPP: um acervo precioso

Depois de quatro anos de trabalho, a TV ABRAPP está com um acervo de 830 vídeos e superou as 80 mil visualizações. É uma vitória porque, quando conversamos, contávamos mesmo com a aposta visionária de Devanir Silva, o diretor geral da TV ABRAPP, e a nossa determinação pessoal para construir esse projeto.

Todos evoluímos. Eu com a curadoria de conteúdo e produção de roteiros possíveis e impossíveis. O Alexandre D'Andrea com sua capacidade de criar soluções instantâneas para as edições. E os entrevistados, que ganham cada vez mais fluência e topam protagonizar essa história. Claro que a equipe da TV ABRAPP - uma vez por ano - é muito maior. Mas, esse é o tripé sobre o qual está apoiada a produção e a divulgação de conteúdo.

2015 tem mais. Enquanto 2015 não chega eu remexo o baú do tesouro. Sim, informação é muito preciosa! Claro que não me pertence. Mas, como avaliador de joias, eu observo cada entrevista e vou me encantando com as cores, tons e brilhos que descubro a cada novo olhar. Como criança, eu tenho um sonho: que o mundo se deixe tocar por essa forma espontânea de conhecer a Previdência Complementar. É breve, é leve, é transformador.

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