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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O QUE VOCÊ VAI SER, QUANDO ENVELHECER?


Já faz tempo que eu busco respostas para essa pergunta: o que você vai ser, quando envelhecer? Porque essa pergunta é muito, muito moderna. E não, eu não estou sozinha nesta reflexão. Ontem, o programa TERRADOIS, da TV Cultura, trouxe o tema "Envelhescência" à discussão. Vale à pena investir 40 minutos nesta viagem!

 A velhice é individual! Acho que é por esse motivo que esta foto me comove tanto. No século 21, mais do que finitude, velhice se transformou em possibilidade. Isso é bom e ruim. Velhice é privilégio. Nem todos conquistam essa experiência. E velhice não é democrática! As condições financeiras são determinantes para que a experiência da velhice esteja garantida em nosso currículo de vida.

As estatísticas comprovam o que eu terminei de escrever. O Mapa da Desigualdade, divulgado em outubro, mostra que a diferença de tempo de vida a favor de quem é rico - em São Paulo - chega a quase 25 anos (clique aqui). O idoso é um sobrevivendente! Mas a questão não se limita ao aumento da longevidade. Nem mesmo se refere ao aumento do tempo de serviço, tempo de contribuição à Previdência Social. Trata-se de uma questão econômica. Trata-se de uma questão de oportunidades. Trata-se de maior ou menor exposição à violência. Maior ou menor acesso à infraestrutura, à saúde.


Tempo com dinheiro

Penso que a Reforma da Previdência não é resposta para todos os problemas econômicos e sociais do  Brasil. Penso que a Reforma Tributária não é resposta para todos os problemas econômicos e sociais do  Brasil. Penso que a Lava-Jato não é resposta para todos os problemas políticos e éticos do Brasil.

Mas são iniciativas de caráter mais genérico que, uma vez implantadas, podem ser aprimoradas para chegar a situações específicas - como os privilégios, como a tributação de heranças e grandes patrimônios, como o REFIS, como as transações internacionais do Banco Safra, desde a gestão Paulo Maluf - só para manter a questão aqui em São Paulo. Mas pode se pensar em Samarco e tantos outros crimes que só fazem aumentar essa diferença de tempo de vida entre São Paulo e outras localidades deste país continental.

Há questões de justiça, sim! Mas aprendi que a eficiência financeira e o lastro econômico precedem a justiça. Sem trabalho, não há dinheiro, saúde, educação, habitação, segurança, vida. Penso que nada disso é resposta absoluta, mas há respostas absolutas no século 21? Nem mesmo a morte é mais resposta absoluta!

Aprender a aprender


"O que você quer fazer aos 96 anos"? Para mim, esta pergunta que surge aos 35 minutos do episódio “Envelhecêscia”, de TERRADOIS, é a principal reflexão que o aumento da longevidade desencadeia. A arcaica associação entre ser e fazer. O fazer que justifica o ser.

A automação preconiza o fim deste grande paradigma do século 20. A automação é o fim, primeiro do emprego. Depois, do trabalho. E ainda das contribuições à Previdência Social. Por último, do significado de nós mesmos. 

“Nós precisamos de uma escola de ocupação da nossa longevidade”, explica o psiquiatra Jorge Forbes. E aí é que está o pulo do gato! Quem se habilita a ensinar essa lição? Com soluções, mais do que reclamações? Com transformações, mais do que restrições (além daquelas que naturalmente existem)? 

Hoje, eu não tenho respostas. Só mais ecos para a pergunta: o que você vai ser, quando envelhecer?

terça-feira, 31 de outubro de 2017

TEM GENTE QUE FAZ, ENQUANTO OS OUTROS SÓ FALAM

Eu ia começar este post explicando minha ausência nos últimos tempos. Mas decidi falar sobre minha presença no TEDx USP - INTERAÇÕES, que aconteceu dia 27 de outubro aqui em São Paulo.

Das 10 apresentações pautadas na programação, eu me identifiquei demais com as contribuições de Mathew Shirts, jornalista e brasilianista que, na rádio Band News, comanda o programa São Paulo para Paulistanos. Shirts falou sobre seu trabalho como editor na revista National Geographics publicada aqui no Brasil. E explicou como ser uma voz solitária falando sobre impactos das mudanças climáticas. Curioso, porque eu achava que essa coisa de "voz solitária" era uma espécie de exclusividade para quem trabalha com Previdência Complementar. Afinal, diferentemente, os ambientalistas são organizados, militantes, pelo Green Peace e outras instituições têm visibilidade, não é mesmo? Só que não! 

As evidências sobre os incêndios de florestas e reservas ambientais na Chapada dos Veadeiros e em Portugal apontam para ação criminosa. Os Estados Unidos, o Brasil e outros países rompem protocolos, praticam tudo o que sabem que vai destruir mas nutre a ganância e o poder. 

Ontem, no Jornal Nacional, a matéria Concentração de gás carbônico na atmosfera atinge o maior nível em 800 mil anos (clique aqui) me chamou a atenção. Porque a economia global e a sociedade (eu, inclusive) - indiferentes aos apelos e evidências dos cientistas e ambientalistas - não mudam o comportamento, ainda que haja risco para todas as espécies do planeta. 

Porque estou escrevendo isso? Porque nos últimos dias outubro as manchetes sobre Previdência na imprensa são:



Frente a esse tsunami verborrágico sem noção, eu me perguntei: vale mesmo vender essa sandice? Depois, eu senti uma nostalgia da época do jornalismo comentado, analítico e investigativo, o jornalismo consequente era mainstream neste país.

Graças a Deus, uma "voz solitária" e corajosa se manifestou com responsabilidade: o procurador do TCU Júlio Marcelo de Oliveira publicou CPI da Previdência vende uma ilusão ao afirmar que não há déficit.

"Por incrível que pareça, o gasto social do Brasil em percentual do PIB (24,5%) é superior ao do Canadá (21,3%) e do Reino Unido (24,0%) e próximo ao da Alemanha (27,3%). Ocorre que mais da metade desse gasto (12,4%) é feito com previdência e assistência social. Gastamos apenas 6% com educação pública e 4,8% com saúde pública, 0,5% com Bolsa-Família e 0,8% com Seguro Desemprego e Abono Salarial.
Os números são eloquentes, assim como o é nosso atraso econômico e social. Ao negar a necessidade de reforma da previdência, o que a CPI da Previdência nos diz é que está bom gastarmos cada vez mais com aposentadorias em vez de aumentarmos os gastos com saúde e educação. Um verdadeiro tiro no pé".

Aprender a falar

A quem interessa a redução da verba para a Educação, para o desenvolvimento da pesquisa acadêmica? A quem interessa que os cientistas brasileiros abandonem o país em busca de financiamento para suas pesquisas? Quem paga pela aquisição de soluções e inovações desenvolvidas pelos cientistas brasileiros empregados no exterior?

As perguntas são incômodas e não são minhas. Trata-se de uma paráfrase de um trecho da palestra que mais me destruiu no TEDx USP. Ela foi apresentada por Natália Pasternark - bióloga, fundadora do Café na Bancada, blogue de divulgação científica, e diretora no Brasil do Pint of Science, festival internacional de divulgação científica.

Ela cobrou muito essa coisa que a gente chama de protagonismo. Protagonismo daquele já minguado percentual da população que alcançava a formação universitária. E eu fiquei com vergonha, naquela hora. E pensei: "é falar sozinho!". Será? O Conversação está com 125 mil visualizações. Quando eu comecei, tive dúvidas se vingava. Mas tentei e insisti. E sei que já fiz mais... Este ano reduzi, porque não estava muito segura sobre minhas ideias diante de tanto ruído.

Só que sei de profissionais que estão fazendo um trabalho lindo para que as PESSOAS - independentemente dos políticos, dos ruídos da imprensa, da contrainformação - tenham um futuro melhor de verdade. Para que as PESSOAS sejam autônomas, independentes dos governos que, inevitavelmente, passarão e serão passado arcaico. A todos esses profissionais comprometidos com um futuro de qualidade eu rendo minhas homenagens aqui, hoje. Com eles, eu não falo sozinha.





terça-feira, 29 de agosto de 2017

50+ TONS DA COMUNICAÇÃO EM PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR

Trabalho com Comunicação com foco em Previdência Complementar desde 1991. Faz tempo! E vejo esse tempo como uma vantagem extraordinária. Porque permitiu que eu acompanhasse muitos movimentos que a Previdência Complementar fez para se adaptar a estatizações - e portanto aos modelos de plano CD e adesão facultativa. Planos Instituídos. Planos com Perfis de Investimento. 
Estava lendo a entrevista - O abandono da ótica do Medo - de Renato Meirelles à Revista da Previdência Complementar. Para quem não sabe, Renato Meirelles é uma autoridade. Um trecho da matéria explica:


"[...]presidente do Instituto Locomotiva, que apresentou o estudo Brasil Maduro no último Encontro Nacional de Comunicação e Relacionamento com o Participante realizado pela ABRAPP. Fundador e presidente do Data Favela e do Data Popular, onde conduziu diversos estudos sobre o comportamento do consumidor emergente brasileiro, Renato fez parte da comissão que estudou a Nova Classe Média Brasileira, na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República". 
Eu não vou repetir a entrevista aqui, mas quero comentar um aspecto. Renato Meirelles chama a atenção para a geração 50+, que ele chama de Gray Power, e a inabilidade dos comunicadores para lidar com ela. 50+ significa: pessoas acima de 50 anos, escolarizadas, e que deverá movimentar R$ 1,5 trilhão na economia.


Mais do que o uso inadequado de estereótipos, a crítica de Renato Meirelles evidencia o uso do medo como estratégia de abordagem das PESSOAS, para que ela faça a adesão a um plano previdenciário.

A técnica foi realmente muito comum. E ainda é usada, mostrando a relação risco/desamparo, causa/consequência do adiamento da decisão. Lembrou aí, Cara Pálida, dessa prática? Bom, mas não é só isso. A geração de comunicadores pós 2008 - muito em razão dos programas de Educação Previdenciára -  substituiu a ameaça e passou a encontrar formas atraentes para oferecer um futuro mais sorridente a participantes potenciais. 
Mas concordo com a crítica! Em geral, a Comunicação Previdenciária tem um salto, um hiato de representação entre 30+ e 60+, curiosamente a faixa etária que me representa e também a muitos profissionais da minha geração e que estão na ativa, trabalhando para fazer mais e melhor.
"Estamos falando de um Brasil onde nascem cada vez menos pessoas e as pessoas vivem mais e que, portanto, registra mudança da faixa da parcela da população brasileira de 60 anos. Ela vai dobrar em uma geração. E isso coloca para o país um conjunto de desafios: que país os jovens de hoje querem viver no futuro? Estamos conseguindo ou não construir um país que seja aberto à população mais envelhecida e que vai viver mais tempo?" Renato Meirelles
A resposta parcial que eu tenho para esse questionamento tão objetivo é: ainda não. Porque os desafios sobre os quais eu penso são maiores até do que a Previdência Complementar. Incluem políticas públicas de respeito e assistência à saúde, inclusão social, acesso ao mercado de trabalho, acesso a cultura e educação, transporte público e trânsito mais humano [na cidade e nas estradas]. Porque, Cara Pálida, a "melhor idade" já é! E uma experiência em massa. Oi? É.

"Olha, eu acho que muitas vezes a comunicação é muito técnica e baseada no pavor, no medo. O que você vai fazer quando envelhecer? O que você vai fazer se não tiver mais trabalho? E talvez fosse mais adequada uma abordagem com viés mais positivo, algo como 'se preocupe em viver' [...]Mostrar o quanto ter segurança financeira abre portas, em vez do princípio lógico do medo, pode ser um caminho interessante de abordagem". Renato Meirelles

Sobre essa perspectiva, vou um pouco mais longe. Acho que parte desse medo também revela rejeição à idade. Tem gente que rejeita a idade, como se pudesse ficar imune ao envelhecimento. Bom, acho que isso é mais uma forma de preconceito que tem nome - etarismo. E como todo o preconceito, precisa ser superado. Depois, é uma forma de rejeitar o trabalho que as soluções exigem. E tem muito trabalho pela frente!

E se tem alguma coisa nova no horizonte é esse olhar atento do mercado para criar expressões além da fragilidade (velho desamparado) e do forever young (velho com piercing e tatuagem). A gente pode fazer melhor, porque diversidade é uma busca permanente de expressões que representem com propriedade a multiplicidade de possibilidades das PESSOAS. 

E comunicador encara esses desafios por modinha?
Claro que não! Comunicador encara esses desafios porque está em seu DNA estabelecer conexões significativas em escala. Comunicador está comprometido com os resultados institucionais estratégicos. Comunicador tem sempre um caso de amor com Educação e aí está o salto qualitativo dessa história: a transformação de comportamento.

50+ variações da mensagem meta tímida para quem pensa em muuuuuuitas PESSOAS. E por quais motivos ainda não nos expressamos assim? Porque ainda precisamos conquistar posicionamento e alinhamento. As soluções de Comunicação precisam ser reconhecidas, legitimadas, aprovadas e depois divulgadas com essa visão comum, compartilhada, endossada.

Falta alguma coisa para fechar esse post? Acho que falar sobre novas atitudes. Elas são determinantes para que tudo mude. As palavras, as cores, os comportamentos.  As atitudes mudam os protocolos. Tornam as relações mais objetivas, sustentadas por fatos. 

Eu tenho certeza que a gente vai ganhar esse jogo, ainda que  o horizonte não seja muito claro aqui e agora. Nesses momentos críticos, é sempre bom lembrar que, há muito tempo, a gente deu essa largada e partiu na aventura de criar o futuro todos os dias.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

HÁ RESPOSTAS PARA VIVER DEMAIS?


Há respostas para viver demais? Viver por mais tempo. Abandonar a linha reta para experimentar as possibilidades, a sinuosidade do século 21?Parece filosófico,existencial? É, com muitos aspectos pragmáticos, é claro! E muitos eu termino colocando em evidência aqui. Mas o tempo tem muitas dimensões, além da pragmática. Viver de um jeito só, viver uma só história, linearmente é pouco. Esse jeito não cabe mais no século 21. E - sim - a aposentadoria é uma dessas linearidades que se transformaram.

Ontem - por dica do professor Nivaldo Cândido Oliveira - assisti a parte do episódio do programa Terradois, da TV Cultura, que se propõe a ajudar a pensar as mudanças do tempo que vivemos. Minha surpresa foi ver o tema aposentadoria figurar com naturalidade no meio da reflexão. Sem dúvida, precisamos demais e de mais abordagens como essa.


Este é só um drops da reflexão de ontem. Quer ver mais? Vai lá no Youtube. Os vídeos do programa estão lá.

Na semana passada, a trabalho, assisti a uma aula do atuário-prodígio João Marcelo Carvalho (UniAbrapp) que, entre outros assuntos, falava da securitização do risco de longevidade. Há resistências à ideia que, se há algum tempo era ficção, hoje é fato. Houve resistências ao projeto da Educação Previdenciária. As resistências são próprias do estranhamento ao novo. Mas aos poucos o novo se naturaliza e a vida incorpora essas respostas, essas soluções.


Ainda que as narrativas do nosso tempo insistam em conservar padrões experimentados até o século 20, a vida tem outra configuração agora. Não? Então por que o economista Eduardo Giannetti da Fonseca vai aparecer hoje no programa Amor & Sexo

Esse é um caldo diferente. Temos que reconhecer! E desse reconhecimento dependem as respostas que daremos a nós mesmos para a pergunta: conseguimos expressar e dar forma a toda a vida que há em nós? Penso que hoje a resposta pronta ideal para essa pergunta tem só seis letrinhas: sempre! Mas eu mesma já não sei se isso basta. 2017 trouxe muitas dúvidas para mim. O que eu sei é que estamos em busca. Muita gente está. Muita gente quer saber. É meio que o horizonte sem fim. Porque se tiver fim, deixa de ser horizonte.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

ACELERA 2017! OU SERÁ QUE VIVER TEM OUTRA VELOCIDADE?


Você constrói seus projetos de futuro na mesma velocidade com que vive a vida? Já parou para pensar que - se o mundo acelerou - você também está envelhecendo mais rápido e que, por isso, precisa de planos para viver o futuro que já é? Ou sua vida vai a mil e seus planos seguem a reboque, numa dimensão paralela gravitando nos séculos 18, 19, 20?

Pois é! Se você está no Brasil, essas respostas são decisivas! Você está onde o envelhecimento será mais acelerado do que em outros lugares do planeta. Isso significa que um europeu teve mais tempo para fazer o próprio plano de futuro. Na França, por exemplo, o envelhecimento da população foi mais leeeeeeeeeeeeento. A longevidade no Brasil não é acaso. Urbanização, industrialização, alfabetização são alguns componentes da fórmula.

A questão agora deixou de ser viver mais. Essa conquista é fato. Mas é preciso criar as melhores condições para viver bem qualquer que seja a fase da vida, especialmente agora que, também aqui no Brasil, a longevidade será acompanhada por possíveis reformas da Previdência Social e Trabalhista.

Redução de empregos formais e de benefícios trabalhistas e previdenciários estão na pauta de 2017. O trabalhador necessariamente terá de rever planos e criar soluções para preservar aquilo que realmente faz sentido em qualquer tempo. Fazer mais com menos não se trata de estratégia, é uma nova cultura! A base é feita de responsabilidade pelas próprias escolhas e sustentabilidade. 

Mais do que revitalizar e regenerar a aparência é preciso rever os valores que estão na gênese das escolhas que fizemos até agora. Se o consumo desenfreado e predatório nos trouxe até aqui, sem necessariamente fazer sentido e causando um prejuízo ambiental sem precedentes, o futuro precisa ser diferente! 

Não se trata de utopia, mas de uma rota de fuga realista para a distopia que criamos e estamos vivendo (clique aqui)... É verdade que ainda somos relativamente jovens, mas não por muito tempo!

A aceleração tem um preço! A negligência também. O mito forever young perdeu a consistência. Foi economicamente verossímil enquanto as PESSOAS que o consumiam eram maioria. O mito do forever alive está aí para ser forjado no século 21.

Resta saber: como? É fato que temos mais informação! Assim como temos mais silicone e viagra. Os três princípios ativos - informação, silicone e viagra - existiam e foram experimentados em doses estratosféricas no século passado. A questão é: o que pode ser mudado? Cada escolha desencadeia uma série diferente e imprevisível de impactos. Quando o tangível não dá mais lucro, o intangível é solução mais efetiva para experimentar a aventura do tempo? 

É com todas essas dúvidas que encaro 2017. Mais velha, mais simples e vivendo a minha humanidade do jeito que este tempo permite. Ando muito desconfiada dessa aceleração forçada da vida. Mas confesso que a desconfiança exige um tempo que nem sempre tenho!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O FUTURO RESPONDE À FORÇA E À OUSADIA DO NOSSO QUERER


Esta é uma das fotos que ilustra a matéria Um mergulho nas águas termais de Piratuba, publicada em outubro pela Vice Brasil.  O que me chama a atenção nesta imagem é a faixa etária da público que visita esta cidade de Santa Catarina. É Brasil, minha gente! 

E o que o envelhecimento aqui no Brasil deverá ser diferente dos demais lugares no mundo? Bom, o exercício de prever o futuro não é muito simples. Mas há tendências. Segundo Paulo Tafner, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o ritmo acelerado com que a longevidade vai se instalar no Brasil deverá aumentar custos de uma forma generalizada (clique aqui). Na América Latina, nos próximos anos, a mudança etária na força de trabalho deverá reduzir produtividade (clique aqui).  
Velha Guarda da Portela

Talvez, o Brasil possa - como sugere o economista Eduardo Giannetti no livro Trópicos Utópicos - criar uma solução totalmente diferente para a economia clássica, assim como criou para a cultura. Uma resposta mais realista e diferente do status quo hegemônico, o American Way of Life - social, ambiental e financeiramente insustentável no médio e longo prazos.

Reforma da Previdência 

Desde 1988 até hoje - às vésperas de uma Reforma da Previdência Social em curso - são 28 anos sem que a sociedade tivesse uma oportunidade tão ampla para refletir sobre a questão do envelhecimento (cada vez maior) e do tamanho da proteção social (cada vez menor).

Sim! Todos os povos naturalmente envelhecem. Sim! Nós precisamos encontrar uma resposta local para um fenômeno global, ainda que as nossas condições sejam historicamente desfavoráveis, como este período de turbulências políticas e econômicas.

Somos estrutural e culturalmente diferentes! Se queremos fazer funcionar aqui os melhores modelos previdenciários do mundo, temos que criar oportunidades para o seu fomento, a começar por fatores críticos, como trabalho (com remuneração e condições dignas) e Educação. Um rumo positivo, de crescimento e emancipação para todos (clique aqui), ainda que a ideia desagrade à tradição de poder local.

Nas últimas décadas, os brasileiros foram cobrados e agora também querem resultados. Não tem mais ingenuidade! As estatísticas, métricas, diagnósticos e prognósticos já integram o cotidiano dos brasileiros, assim como o funk, o samba, o axé, o futebol e o Carnaval. Somos isso e mais! Por essas razões, é bastante razoável pensar que a resposta para a longevidade será intergeracional, interdependente, antropofágica. Vai combinar algorítimo com batucada, como no século passado Jackson do Pandeiro misturou chiclete com banana e nós estamos aqui, fazendo história, como os demais povos, mas do nosso jeito!
Velha Guarda da Mangueira
"Na prática, é claro, nada que é humano será perfeito, a começar pelo próprio pensamento utópico. Duas verdades medem forças. De um lado, está o princípio de realidade: se o sonho ignorar os limites do possível, ele se torna quixotesco (ou pior): um ideal de vida pessoal ou coletivo, seja qual for o seu conteúdo, precisa estar lastreado numa avaliação realista das circunstâncias e restrições existentes. Ocorre, porém, que a realidade objetiva não é toda a realidade. A vida dos povos, não menos que a dos indivíduos, é vivida em larga medida na imaginação. A capacidade de sonho e o desejo de mudança fertilizam o real, expandem fronteiras do possível e reembaralham as cartas do provável. Quando a vontade de mudança e a criação do novo estão em jogo, resignar-se a um covarde e defensivo realismo - 'uma aceitação maior de tudo' - é condenar-se ao passado e à repetição medíocre (ou pior). Se o sonho descuidado do real é vazio, o real desprovido de sonho é deserto. No universo das relações humanas, o futuro responde à força e à ousadia do nosso querer. O desejo nos move". Eduardo Giannetti, in Trópicos Utópicos [p.137-138].

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

SOMOS MAIS QUE TESTEMUNHAS DO TEMPO

Se - assim como eu - você ficou surpreso com a transformação do personagem Wolverine em 16 anos então, mesmo que inconscientemente, uma sensação semelhante à minha deve ter provocado suas ideias. E aqui eu vou traduzir a sensação que eu tive.

O mais intrigante nesta experiência de acompanhar o surgimento e a evolução da personagem é que junto de Wolverine, deixamos de nos reduzir um dado estatístico para assumir nossos papéis de testemunhas e personagens da ação do tempo: percebemos o tempo seja no Wolverine, seja em nós mesmos, seja no mundo! Esta é uma metáfora poderosa do nosso protagonismo aqui e agora! E o que ela nos diz? "Não temos tempo a perder!". 

Veja! A série teve início em 2000 e, num piscar de olhos, se estendeu por 16 anos! O veterano Johnny Cash participa da trilha sonora de Logan, o Wolverine de 2016. E seus versos desafiam: 

If I could start again (se eu pudesse começar de novo)
A million miles away (a milhares de quilômetros daqui)
I would keep myself (eu me pouparia)
I would find a way (eu encontraria um jeito).

Pois é! Mudanças nos mitos: de forever young para forever alive! Com o plus: I would keep myself (eu me pouparia = eu seria previdente). Fascinante!! Será que o radicalismo do mundo está ganhando consciência? Será que o tempo está mostrando uma face não só envelhecida mas madura da humanidade?


Legado: mais do que aventura, troca intergeracional!

O futuro é uma obra aberta! Talvez a mais aberta de todas as obras. Por isso, acho que cabe pensar também se o legado que se transmitirá às novas gerações - além da proposta de aventura - integra um conhecimento sobre sustentabilidade da vida em todas as suas manifestações, especialmente as manifestações de caráter coletivo!

No livro Trópicos Utópicos, Eduardo Giannetti, deixa alertas belíssimos como legado de responsabilidade para a sociedade: "O desejo de saltar para aquém do cárcere do pensar se pode compreender - e até cultivar em certa medida, mas o lado de fora não há. A consciência é irreparável; dela, como do tempo, ninguém torna atrás ou se desfaz. Desmorder a maçã não existe como opção". [p.36]

Portanto, se estamos presos à consciência e ao tempo, temos que buscar um caminho, um caminho que poupe, proteja a todos das próprias escolhas! Talvez, as luzes tenham que ser garimpadas naqueles que, como Eduardo Giannetti, se renderam à consciência, à responsabilidade e à realidade. É dele a sentença: "A igualdade de resultados oprime, a igualdade de oportunidades emancipa". [p.100]. Deveria ser argumento para vários filmes! 

Mas ilumina muito as ações daqueles comprometidos com o futuro. O futuro é uma obra aberta e muita gente bacana dedica muita energia para que ele seja uma versão melhor do presente. Para que o futuro seja uma experiência verdadeira de mais qualidade de vida, mais significado, mais herança do que recebemos das gerações que nos antecederam. Para que nós mesmos, nossos filhos e netos possamos trilhar caminhos mais promissores em territórios civilizados e menos hostis.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

DEMOGRAFIA: QUAL É O VALOR DESSES DADOS PARA OS RESULTADOS?

que eu queria mesmo saber: qual foi a idade média dos eleitores em 2016? Minha desconfiança era que os Millennials (18 a 35 anos) tinham sido decisivos para os resultados nas urnas. No site do TSE tem uma planilha para download que não totaliza, mas dá para ter uma estimativa. Pelas minhas contas, 53.740.000. Para minha surpresa, há um grupo maior, as mulheres, que são 53% dos eleitores em todo o Brasil: mais de 76 milhões

Só para constar, desde a Copa no Brasil, em 2014, suspeito que a política não está considerando as mudanças demográficas do eleitorado. Pode ser ingenuidade e mesmo limitação minhas em relação  a um território tão polêmico e disputado. Mas, p
ara mim, o equívoco começou com a redução do eleitorado a time de futebol: coxinhas e mortadelas. Para mim, esse simplismo anacrônico é míope para evidências.

Os Millennials, desde 2012, passaram por muitas experiências relevantes de mobilização social: Tarifa Zero, disputa presidencial, impeachment, Lava Jato, desemprego, recessão econômica, governo de transição. E ainda vem bala por aí: Reforma Fiscal, Reforma Trabalhista, Reforma Previdenciária. Tudo junto, misturado e ao mesmo tempo. 
Tem mais: os Millennials cresceram em um modelo diferente de Estado: o democrático. Tiveram outro modelo de escola e família. Para os que estão no mercado de trabalho formal com ambiente extremamente competitivo: exigência de perfil e desempenho profissional baseado em resultados e efetividade diferentes daqueles exigidos das gerações anteriores.


Os Millennials têm preferências incomuns, entre elas Clóvis de Barros Filhos (filósofo), Mário Sérgio Cortella (filósofo) e Leandro Karnal (historiador). Olé! Mas há legiões que seguem também Youtubers e celebridades.

Os Millennials fazem meme para tudo! Inclusive para o que eles mesmos curtem. É claro que as explicações comportamentais, sociológicas e demográficas devem ser muito mais profundas do que as minhas especulações neste post. Entretanto, acho que há uma explicação mais profunda para o resultado das eleições municipais no Brasil (inclusive para avaliar o resultado do Eduardo Suplicy como vereador mais votado em todo o país). Parece incoerência. Mas acho que é mais uma evidência de que a coerência é apartidária.

Além dos Millennials, eu deveria apresentar aqui alguma reflexão sobre as mulheres, mais do que a evidência quantitativa. Só que ainda não sei superar em argumento o 
aumento do protagonismo das mulheres - que nem precisa de pesquisa especializada. É só observar o movimento e as notícias locais e internacionais nas redes sociais. Mas as mulheres ainda não são maioria no mercado formal de trabalho. Também ganham menos... Sei que têm grande poder de decisão no orçamento familiar, por isso, têm mais acesso a créditos imobiliários, por exemplo. Talvez, entre as mulheres, haja uma percepção diferenciada sobre o que seja compromisso de longo prazo.

Por isso tudo, acho que é hora de colocar mais lupa nesses grupos. Trabalhar melhor com BI, geolocalização, estatística e demografia para entender melhor a participação e as decisões de cada um na política, na economia, na cidadania. Interpretar melhor as mudanças deve dar alguma vantagem na transformação da linguagem, do discurso, do relacionamento nos rumos e na história do futuro do Brasil.